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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Como o processo de seleção das melhores forças especiais do mundo se diferencia das demais forças especiais?

 


Existem alguns bons canais de conteúdo militar falando sobre o processo seletivo das melhores forças especiais do mundo em português com excelente iniciativa. Hoje iremos aprofundar aqui ainda mais o assunto que parece ser bem desconhecido para os interessados brasileiros.

Vale lembrar novamente:  bravados e gritos sobre vibração, pagar cangurus, falar gírias militares e todo aquela coisa que qualquer um pode fazer não dizem NADA sobre forças especiais. Na verdade o processo de seleção da melhor unidade de forças especiais do mundo se diferencia por ser exatamente o oposto disso.

Como isto funciona e o que isso a diferencia das outras unidades de forças especiais?  Vejamos abaixo:

  1. Processo seletivo aberto a qualquer militar de qualquer patente, classe social ou unidade com o mínimo de três anos de serviço ativo com comportamento razoável e requisitos de idade. Do paraquedista ao rancheiro e corneteiro. Qualquer um pode entrar desde que passe nos processo seletivo. Sargentos e cabos perdem a sua patente e viram soldados,  soldados permanecem soldados e podem galgar a patente de cabos e sargentos,  oficiais mantem a mesma patente. Oficiais passam por um processo seletivo mais exigente por motivos óbvios (devem ter moral para liderar pelo exemplo, comandar e tomar decisões de alto risco). Não existe a necessidade de se fazer concurso publico para ser um militar de carreira e depois ingressar nas forças especiais (passando no curso) como acontece aqui no Brasil aonde um soldado NUNCA vai ter a chance de servir nas unidades de forças especiais (comandos, paraquedistas, precursores, militares de selva, montanhas e outros não são forças especiais)
  2. Ser um paraquedista não é algo obrigatório, pois o militar que ainda não for paraquedista vai receber treinamento para tal função desde o treinamento básico paraquedista ao salto livre.
  3. Ser um militar de uma unidade de comandos não é algo obrigatório, pois o militar vai receber este treinamento embutido na formação de forças especiais,
  4.  O militar que atua realmente na missão e esta na “lida” (muitas vezes soldados, cabos  e sargentos)  é aquele que realmente toma  as decisões na hore de atuar no campo operacional e não um militar oficial burocrata distante do campo de operação. Por qual motivo? O militar no campo a) tem mais informações sobre o que esta acontecendo em tempo real; b) arrisca a sua vida e dos seus subalternos  para cumprir a missão.  
  5. Hierarquia é usada como forma de estabelecer/manter controle e cadeia de comando e não usar soldados com escravos.
  6. A seleção é chamada de rejeição na verdade pois rejeita-se a maior parte que não serve para a unidade.
  7. Impessoalidade. Muitas vezes sem gritos, sem tentar motivar o militar para estar no processo seletivo, sem vibração. Faz quem quer, de livre vontade e tem motivação para tal sem ninguém gritado ao lado. Metas devem ser atingidas. Não atingiu vai ser desligado e pode pedir desligamento a qualquer hora sem teatro e simbolismo como fazem os Us Navy Seals (tocar o sino).
  8. Relativamente processo seletivo direto ao ponto e consistindo de fases: 1) Pré -seleção para testar nível básico de preparo físico; 2) Testes de marchas forçadas aumentando a distancia gradualmente em terreno montanhoso  e que incluem navegação (grande foco nessa parte); 3) Fase de de guerra na selva; 4) Fase de sobrevivência e resistência a interrogatório. Somente depois disso o militar é qualificado como operador de forças especiais mas ainda pode ser desligado dentro do prazo de um ano. Ao longo da jornada fases de nivelamento operacional são feitas e militares que não possuem formação em determinada especialidade passam por instruções especificas. Nem todas tem ralação.
  9. Divisão de conhecimento onde um militar passa conhecimento ao companheiro em determinado tipo de assunto e vice- versa (Cross training)
  10. Comando decentralizado e criatividade/ inovação ao executar missões são consideradas. Iniciativa é bem vinda ao tomar decisões sem depender de militar comandante.
  11. Constante treinamento em diversas áreas como proteção de dignitários, reconhecimento, inteligência, contraterrorismo, etc, buscando manter-se atualizado sem jamais cair no erro de “sabemos tudo”.
  12. Preparo físico de responsabilidade do próprio militar que deve manter-se em forma por iniciativa própria. Se afetar a performance, corre o risco de ser desligado e mandado de volta a unidade original de onde veio.
Quem seriam os militares desta unidade extretamente experiente e operacional? Leia aqui. 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Ninja, o verdadeiro soldado japonês das forças especiais


Desenho do ninja arquetípico de uma série de esboços de Hokusai. Impressão em xilogravura em papel. Volume seis, 1817.

Esqueça os samurais, eles eram bons guerreiros, mas eram muito sobre força e regras. Faltava inteligência na arte da guerra.

O verdadeiro soldado japonês das forças especiais eram os ninjas cuja sabedoria em guerra irregular e anos de treinamento na arte do combate direto, camuflagem e psicologia era extremamente elevadas.

Um ninja (忍者, pronúncia japonesa: [ɲiꜜɲdʑa]) ou shinobi (忍 び, [ɕinobi]) era um agente ou mercenário secreto no Japão feudal. As funções de um ninja incluem espionagem, decepção e ataques surpresa. Seus métodos secretos de travar guerras irregulares foram considerados desonrosos e sob a honra do samurai mas eram exremamente eficazes. Hoje unidades de forças especiais agem de modo muito similar aos ninjas, diferentemente de militares convencionais grosseiros.

Embora os ninjas propriamente ditos, como espiões e mercenários especialmente treinados, tenham aparecido no século XV durante o período Sengoku (séculos XV-XVII),  antecedentes podem ter existido desde o século XII.

Durante a agitação do período Sengoku, mercenários e espiões contratados se tornaram ativos na província de Iga e na área adjacente ao redor da vila de Kōga, e é dos clãs da área que grande parte do conhecimento do ninja é extraída. Após a unificação do Japão sob o xogunato de Tokugawa no século XVII, o ninja desapareceu na obscuridade. Vários manuais shinobi, freqüentemente baseados na filosofia militar chinesa, foram escritos nos séculos XVII e XVIII, principalmente os Bansenshukai (1676).

Na época da Restauração Meiji (1868), os shinobi haviam se tornado um tópico de imaginação e mistério popular no Japão. Os ninjas figuravam com destaque na lenda e no folclore, onde estavam associados a habilidades lendárias, como invisibilidade, caminhada na água e controle sobre os elementos naturais. Como conseqüência, sua percepção na cultura popular baseia-se mais nessas lendas e folclore do que nos reais espiões do período Sengoku. Tais mitos favoreceram a aura do ninja que hoje igualmente parece ser usada por  forças especiais  como forma de propanda ou gerar medo no inimigo.

Segundo um antigo manual ninja, o ninja tinha dois modos de operação: Innin (infiltração velada) e Yonin (infiltração não oculta). Isso parece ser similar a tipo de missões que FE fazem hoje em dia. Algumas doutrinas podem classificar em green operations, black operations, etc.

Neste excelente da TV japonesa podemos aprender como ninjas usavam a tecnologia do seu tempo e o treinamento avançado em guerra psicológica. Definitivamente operavam de modo muito sagaz.

 Veja as reencenações e também como recriaram e testaram um dispositivo de escuta ninja conhecido como "saotokikigane".

Clique no link para assistir : https://www3.nhk.or.jp/nhkworld/en/ondemand/video/3019107/?cid=wohk-fb-org_vod_nt_11-202003-001&fbclid=IwAR0Gmr6CTSuAWYeW3WP-w3Edrdu3ezIqKpcXMeff_k6Cshd-NJXf6bqj0pQ

sábado, 15 de abril de 2017

Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais, ESTUDE MAIS



Alguns meses atrás um vídeo nos foi indicado pelo Facebook. O vídeo em si se tratava dos comandos do Brasil fazendo treinamento antiterrorismo e um outro treinamento na selva. Ufanistas começaram a enaltecer os guerreiros da selva do Brasil como os imbatíveis neste ambiente. Os comandos que praticavam antiterrorismo na casa da morte (local aonde faziam o seu treinamento) também foram citados como os melhores do planeta. Muitos citavam que nossos militares eram inovadores neste tipo de treinamento.

Com todo respeito aos meus colegas guerreiros mas vamos aos fatos:

As forças especiais do Brasil foram moldadas no modelo norte-americano com um toque nacional dado pela Batalha de Guararapes. Mas praticamente todas as forças especiais modernas do mundo foram moldadas no SAS (Serviço Aéreo Especial) a mais antiga das forças especiais britânicas. Aqui nos referimos as técnicas mais atuais de combate.

Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais e forças especiais modernas, deixamos uma dica: procure estudar mais. Todo militar deveria saber como o SAS pensa e atua.

Antes do Brasil pensar em ter forças especiais as forças especiais britânicas e em especial o SAS operavam em ambientes de selva, antiterrorismo e guerra irregular. E tem muito leigo misturando o que é uma unidade de comandos com unidades de forças especiais. Ambas possuem missões distintas.

Fatos históricos abaixo:


1- O SAS foi criado em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, para combater nos desertos da África do Norte, por um tenente escocês chamado David Stirling. Oficiais de guerra convencional tentaram sabotar a nova unidade criada pelo tenente que recrutou ex-comandos britânicos. As unidades de comandos utilizavam muitos homens e tinham muitas missões canceladas. David Stirling teve a revolucionaria idéia de usar unidades bem menores infiltradas nos campos inimigos. Os soldados do SAS tinham um perfil bem atípico dos militares convencionais. O Brasil pouco sabia de forças especiais nesta época.


2- Depois da II Guerra, o Reino Unido começou a combater comunistas nas selvas do Bornéu e Malásia. O SAS inclusive tem uma boa parte do treinamento inicial na selva e já faz parte do processo seletivo. Este treinamento depois se torna mais especializado. Ou seja, em 1950 soldados do SAS já estavam atuando em missões reais na selva. O nosso excelente CIGS foi formado tempos depois.



3- O SAS que iniciou o estudo em missões antiterroristas e resgate de reféns em ambientes confinados. Nem o Brasil e nem os americanos tinham preparo para este tipo de operação na época. O nome que os comandos brasileiros deram para a sua casa de treinamento (casa da morte) vem DIRETAMENTE do SAS que chama o seu lugar de treinamento de killing house (casa da morte em língua inglesa). O SAS participou de muitas missões de resgate de reféns com o maior índice de sucesso até hoje entre muitas unidades de forças especiais.


5- Suas missões incluem nem sempre o perfil do tradicional militar. Soldados do SAS podem se vestir como civis e odeiam coisas com marchar, faxina e demais atividades com perdas de tempo.







6- Unidades como o SAS neozelandês e australiano (fotos acima) foram diretamente copiadas do modelo britânico. Estas unidades tiveram grande sucesso durante a guerra do Vietnã para quem desconhece o envolvimento deles considerando que eram bem menores que unidades norte-americanas.



7- A famosa Delta Force norte-americana foi criada por um militar norte-americano que passou pelo curso do SAS durante um treinamento no Reino Unido e notou que os boinas verdes deixavam a desejar na época. Os Estados Unidos tinham os boinas verdes como modelo naquele tempo. O comandante norte-americano mostrou humildade, aprendeu que o SAS tinha mais a ensinar e copiou o modelo britânico ao criar a Delta Force. Ele também sofreu represálias de militares que desconheciam a guerra convencional assim como de muitos boinas verdes que sabiam tudo na teoria mas nada na vida real e tinha uma certa rivalidade com a mentalidade nada convencional do SAS. Escreverei um texto sobre este tema.



8- O SAS anda operando em missões reais desde a II guerra por todo o planeta desde o seu nascimento em 1941 até hoje. Alguns dos lugares e missões divulgadas podem ser vistas abaixo (em língua inglesa):
Jebel Akhdar War
Indonesian Confrontation
Aden Emergency
  • "Keeni-Meeni Operations", 10 December 1963 – 1967, the search for Yemeni-trained assassins.[7]
Dhofar Rebellion
  • Operation Storm, 1970–1977, deployment of the SAS to support the Sultanate of Oman; operating under the auspices of a British Army Training Team (BATT). Included the well documented attack on the SAS outpost at Mirbat.[8]
Lufthansa Flight 181 
Iranian Embassy Siege
Falklands War
The Troubles
Persian Gulf War
Japanese embassy hostage crisis
Bosnian War
War in Afghanistan
Iraq War
Operation Enduring Freedom – Horn of Africa
Military intervention against the Islamic State of Iraq and the Levant
Libyan Civil War     

Ou seja: confiança é uma coisa mas sem soberba e arrogância. As forças especiais do Brasil ainda tem um longo caminho pela frente em certos aspectos. Muitas unidades hoje treinam juntas mas a base e o reconhecimento de uma raiz nascem com estudo. E muita vezes isso gera um enorme aprendizado. Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais e forças especiais modernas, informe-se pois eles operam em ambientes hostis desde a II guerra e tem muito a ensinar.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Exoesqueleto e forças especiais:da reabilitação ao campo de batalha


As unidades de forças especias e comandos dos melhores exércitos do mundo são atualmente uma mistura de conhecimentos seculares com a mais moderna tecnologia.Os US Rangers de hoje assim como os comados britânicos(atualmente representados pelos Royal Marines) tem suas origens na guerra fraco-americana em 1700 e na II guerra mundial respectivamente.Tal fato sempre é citado por ex-soldados de forças especiais em seus livros:o respeito ao treinamento e a valorização de experiências e habilidades ancestrais mistas ao futuro,com muita coisa que parece sair de filmes.Ah, lembramos sempre, o BOPE não é um unidade militar de forças especiais e sim uma unidade policial de comandos.M as até os bem treinados soldados do BOPE usam da tecnologia embora o blog concorde com outra frase dita por ex-soldados do SAS e comum dos Rangers:¨A melhor arma ainda é um soldado bem treinado ¨.E isso,com muita repetição nas habilidades básicas,ao raciocínio rápido e espírito de equipe é usado com a tecnologia.

Todos conhecem filmes de ação que mostram a mentalidade norte-americana de militarizar invenções.Isso tem a ver com a valorização da cultura militar, a competição e a belicosidade do povo americano aliados ao seu patriotismo e a sua relação de paixão com armas que podem ser vistas em filmes de cowboy.Ver pessoas com com bandeiras americanas penduradas em casa não é incomum ou tido como coisas de idiotas diferente do nosso país.Todo esses fatores,aliados a guerra para ter a última tecnologia fazem nascer surpresas. Não acho isso errado. Eles defendem os seus interesses, muitos outros não.Infelizmente no Brasil, julgamos isso errado por sermos pacíficos mesmo que a violência das nossas ruas demonstre o contrário e acabemos criando desculpas para poupar o bandido por direitos humanos e pintar ele como um coitado.No Brasil, eu pessoalmente vejo poucas bandeiras sendo valorizadas e no exterior só vi mulheres brasileiras enroladas desfilando em festivais e na Copa do Mundo.Talvez agora com a explosão da moda de ser brasileiro e de coisas como eventos de artes marciais mistas, o Brasil passe a ser mais respeitado no exterior e valorize as suas inúmeras coisas boas. Nossa imagem no exterior e de nós mesmo tem que ser trabalhada pois na visão do blog é completamente equivocada.

Voltando ao assunto,o filme virou verdade.Muitos dos protótipos de exoesqueltos foram desenvolvidos com fins de reabilitação ou para fazer uma pessoa ferida se mover.Se não foram inventados pelos EUA tiveram os direitos de fabricação comprados pelo Tio Sam.E outra coisa típica dos EUA é ser um centro de pesquisas com fins práticos,lucrativos e não para publicar artigos.Claro,a burocracia para se fazer pesquisa embora seja rígida não limita a criatividade do pesquisador,algo ainda comum no Brasil que deve ainda esperar pela aprovação do orientador para este aumentar no seu curriculum a quantidade de trabalhos publicados.

Assim nasceu o exoesqueleto batizado de Hulc (sigla em inglês para carregador humano universal), o exoesqueleto está nos sonhos do maior Exército do mundo há décadas. No início dos anos 2000, dois inventores americanos entraram em uma briga de gente grande para conquistar esse mercado. Em 2004, no entanto, o engenheiro mecânico Hami Kazerooni, então da Universidade de Berkeley, saiu na frente e apresentou um protótipo capaz de seduzir os capitalistas da guerra. Depois de abrir sua própria empresa, associou-se ao gigante do setor de armamentos Lockheed Martin e passou um bom tempo aprimorando o seu invento. O resultado foi apresentado no ano passado e impressionou os especialistas graças a duas qualidades fundamentais: sua mobilidade e seu controle altamente intuitivo.Lembramos que existem outras empresas que também investem em tal tecnologia.

Outro ponto primordial para o sucesso do invento é sua autonomia. Dotado de uma bateria de lítio similar à dos celulares, mas muito mais potente, ele deixa o soldado totalmente desconectado de fontes de energia. No vídeo demonstração disponível no site de ISTOÉ é possível ver paramilitares em campo com agilidade digna de um super-herói. Agora, é a vez de o Exército americano fazer suas avaliações. “Os testes biomecânicos vão medir a energia gasta por um soldado ao usar o Hulc”, afirma um comunicado oficial da Lockheed Martin. Eles também mostrarão quanto tempo os usuários levarão para aprender a controlar o exoesqueleto ao carregar pesos variados e movimentar-se em velocidades distintas.
A novidade é apenas mais uma das desenvolvidas pela iniciativa privada sob encomenda do Pentágono. Há tempos os militares americanos contam com o auxílio da alta tecnologia para amplificar seus sentidos – vide os óculos de visão noturna – ou localizar-se – via GPS, por exemplo. Além disso, um órgão governamental trabalha exclusivamente na criação de novas tecnologias de guerra. Trata-se da Darpa (sigla em inglês para Agência de Pesquisa de Projetos Avançados de Defesa).

Muitos amantes da teoria de conspiração dirão:mas isso não funciona na selva brasileira,que o fuzil FAL passou em testes como o famoso teste da lama (aqui)Sempre achei que a confiança é uma boa coisa,mas ela excessiva vira soberba.Primeiro, que o Brasil não está em guerra com os EUA por sermos aliados comerciais entre outros motivos,sendo a batalha na área da diplomacia.Segundo,tecnologia pode não dizer tudo como falamos antes,mas pode ajudar.Terceiro,o Brasil possui talvez a melhor unidade de selva do planeta,mas não é o único a possuir unidades desse tipo(post futuro). Quarto, o Brasil (caso houvesse tal conflito) nunca faria uma guerra direta contra o atual maior Império da terra por questões bélicas e optaria por uma estratégia de guerra de resistência limitando assim o seu espaço operacional na Amazônia,o que diria que teria perdido já parte do território nacional.Para esses amantes mega-nacionalistas de teoria de conspiração eu respondo que só a Amazônia não é Brasil apenas de ser alvo de todos e outros lugares importantes com áreas civis e populacionais de interesse a todos que podem mudar a opinião pública não são assim tão bem guardadas.E nosso povo está longe de ter a mentalidade dos EUA em fazer tudo para defender o seu país.
De lá surgiu outra invenção que promete ajudar os militares americanos – mais especificamente, aqueles que sofreram na carne o flagelo da batalha. Também na semana passada, a Darpa anunciou que testará o primeiro braço mecânico totalmente operado pelo cérebro humano, muito provavelmente com a ajuda de soldados mutilados. Resta saber quem serão os inimigos que esses verdadeiros RoboCops enfrentarão nas batalhas de um futuro cada vez mais próximo.

Mais: http://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/89714_O+SOLDADO+DE+2020/2

Se o leitor acha interessante o tema sobre armas do futuro,pode procurar na internet e no You Tube pelo programa Armas do Future (future weapon)que é exibido pela TV americana.O amor por armas nos EUA é realmente algo forte como disse Ross Kemp no documentário Lethal Attraction: Why Americans Love Guns.
Alguns vídeos abaixo desse exoesqueleto e demais feito por outras empresas:





Exoesqueleto israelense reabilitativo sem fim militar(mas eles provavelmente devem ter ou criar um no futuro)




sábado, 28 de janeiro de 2012

Origem das Forças especiais e história do Brasil, Reino Unido, Holanda, EUA e França


A direita, O criador do Serviço Aéreo Especial, o escocês David Stirling.Tal unidade influenciou o mundo com a sua filosofia de operar unidades de forças especiais(que se diferenciam dos comandos)..A esquerda, Antonio Dias Cardoso,o patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Brasil  que combateu contra a Holanda na Batalha de Guararapes(1640).

A origem das forças especiais pode ser dividida em duas épocas diferentes mas não menos importantes e em níveis mundial e regional.

A nível mundial a história das forças especiais modernas nasce no Reino Unido com a criação do Serviço Aéreo Especial durante a II guerra mundial para enfrentar a ditadura fascista italiana, o império japonês e o exército alemão em missões de inteligência atrás das linhas inimigas e ataques de longa duração

O nascimento moderno das forças de ações de comandos(que se diferenciam das forças especiais pelo modus operandi nasce com a criação dos comandos britânicos para missões rápidas,curtas e agressivas pelo criador dos comandos, o Coronel Dudley Clarke

Devemos sempre lembrar que unidades de forças especiais e comandos operam de modos bem diferentes e não são iguais.

A-Comandos britânicos na II Guerra, o nascimento dos comandos modernos  e os comandos do Brasil.


O criador dos comandos, o Coronel Dudley Clarke
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O termo nasceu a partir da designação de Kommando que os colonos bôeres da África do Sul davam às suas tropas de operações especiais na guerra contra os britânicos, no princípio do século XX. A palavra Kommando por sua vez teria tido origem no termo português "Comando", utilizado na Índia no sentido de um grupo de tropas sob um comando autônomo que desempanhava missões especiais durante uma batalha ou cerco. Na África do Sul tropas similares actuavam em pequenos destacamentos, que se deslocavam normalmente a cavalo, e lançavam ataques rápidos contra as tropas britânicas.

Durante a 2ª Guerra Mundial foi criada essa importante unidade pelo  Coronel Dudley Clarke e tanto os britânicos como os alemães decidiram utilizar este termo para designar as novas tropas de operações especiais que tinham formado (as britânicas designadas Commandos e as alemãs Kommandos). Posteriormente o termo foi utilizado por outros países para designar algumas das suas forças de elite para ataques rápidos,furtivos e missões de curto período.

Assim,tal designação chamada comando foi dada a uma tropa de elite pertencente à uma das forças armadas, que é altamente adestrada e qualificada a operar sob circunstâncias e ambientes impróprios ou contra-indicados ao emprego de outros elementos das forças regulares, sendo apta a cumprir uma ampla variedade de missões e tarefas, táticas ou estratégicas de curto prazo e em geral de objetivo agressivo. Dentre as missões executadas por uma tropa de comandos, estão as operações de contra-guerrilha, emboscadas, além das ações diretas que necessitem de alto poder de choque de curta duração.

Uma das inovações dos Comandos britânicos usadas até hoje foi a utlização de munição real durante o treinamento,não com o intuito de torturar soldados ou embuste visto serem realizadas com ângulo de tiro o mais seguros possíveis,,mas para faze-los perceber a diferença do tiro real e do tiro não real e para serem habituados com isso.Torturas sem necessidade não formavam um bom soldado pois eram embuste sem necessidade.Um comando deveria ser formado com treinamento real mas fornecendo segurança,um excelente treinamento de base com muita repetição,aliados a uma doutrina de profissionalismo e seleção inteligentes.

No Brasil, o"primeiro comando conhecido e patrono"é o capitão Francisco Padilha, militar que lutou por meio de ações de guerrilha contra os invasores holandeses no ínício do século XVII. O coronel Johan van Dorth, nomeado governador da Bahia pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie/WIC) em 1624, foi morto nas proximidades de Salvador por Francisco Padilha a frente de uma das diversas companhias de emboscadas compostas em sua maioria de índios flecheiros. Essas companhias também eram chamadas de Milícias dos Descalços e tinham como objetivo principal impedir a expansão inimiga pela colônia.

Embora a doutrina dos comandos brasileira seja mais antiga(assim como as forças especiais),o "renascimento" de tais soldados no Brasil e no mundo reapareceu no século XX durante a II guerra com a formação de tais unidades de elite das forças armadas do Reino Unido.

B-A raíz das forças especias no mundo: Serviço Aéreo Especial (SAS)



O SAS foi uma unidade criada em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, na África do Norte, pelo tenente escocês chamado David Stirling. A unidade recebeu o nome de SAS - Serviço Aéreo Especial, para os alemães acharem que havia comandos pára-quedistas servindo ao Exército britânico no Cairo.

David Stirling era uma figura alta e atlética, estava se preparando para escalar o Monte Everest quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Alistou-se nos Guardas escoceses em 1939 e em 1940 entrou como voluntário no oitavo Comandos britânicos, sob as ordens do tenente-coronel Robert Laycock, que formava parte da Força Z (mais tarde mudaria o nome para Layforce). Depois da decepção desta empreitada bélica, Stirling percebeu que, devido à mecanização da guerra, um grupo reduzido de soldados bem treinados poderiam infligir ao inimigo maior dano que um batalhão inteiro. Com essa idéia ele acabaria criando a primeira unidade de força especiais modernas que mudou muito até hoje visto ter como forte base a constante atualização dos seus soldados que devem estudar sobre armamentos,idiomas,tecnologia,etc.

Logo depois de sofrer um acidente de pára-quedas, ficou temporariamente recuperando-se, foi ai que aproveitou para visitar no Cairo o comandante-em-chefe general Claude Auchinleck. Com o apoio do também general Neil Ritchie, Stirling insistiu com Auchinleck, e o persuadiu. Logo conseguiu o que queria, recebeu sua unidade com comando independente, com o evasivo nome de "L Detachment, Special Air Service Brigade", a idéia era dar a falsa impressão de que existia uma brigada de commandos pára-quedistas operando no norte da África.
O General Auchinleck desde o começo não tinha fé nas idéias de Stirling, por várias vezes mandou pessoas para observar o que ele e os soldados faziam. De fato muitas coisas esquisitas aconteceram, em um estranho episódio Stirling obrigou, por falta de equipamento, os soldados a pular com equipamento completo de um jipe em movimento para treinar pára-quedismo. Essas informações só faziam convencer o General Auchinleck de que Stirling estava perdendo o tempo.Outros militares das forças convencionais acham não só uma perda de tempo mas um exército de malucos com treinamento não convencional e criativo demais.

Stirling foi preso pelo exército alemão em janeiro de 1943, no sul de Tunísia. Tentou escapar quatro vezes antes que o enviassem ao castelo Colditz, onde permaneceu o resto da guerra até a rendição alemã. Em 1945 fundou unha associação de ex-combatentes das SAS, da qual foi o primeiro presidente. Em 1990 foi condecorado cavaleiro pela Rainha e morreu no mesmo ano.

Na campanha africana teve grande rendimento, e lutou também na Itália e na Europa. O SAS destruiu mais de 400 aviões da Luftwaffe; acreditam que teve um melhor rendimento que a RAF (Real Força Aérea Britânica) destruía em terra e no ar. Após a Segunda Guerra Mundial foi desativada e foi reativada na década de 1950, com o nome de 22o Special Air Service. Ficou decidido que os Royal Marines e o Special Boats Service iriam fazer incursões de curto alcance e o SAS incursões de longo alcance e longa duração dentro de uma estratégia contra a União Soviética. Desde então tem lutado pela Grã-Bretanha nos mais diferentes lugares como na Malásia, Omã, Bornéo, Vietname - vestindo uniformes norte-americanos -, Aden, Irlanda do Norte, Malvinas, Libéria, Golfo Pérsico, Bósnia, Kosovo, Serra Leoa e Afeganistão, onde reafirmaram a sua boa reputação.

A influêcia do SAS é notória em quase todas as forças especiais do planeta pela seleção, metodologia,didática e profissionalisemo dos seus soldados. Praticamente todas forças especiais do mundo copiara ou tiveram como modelo o SAS.

 C-Forças Especiais Baseadas na SAS

O Regimento participou e deu origem a muitas outras Forças Especiais espalhadas pelo mundo, entre elas:
  • Austrália, SASR - Special Air Service Regiment. De origem de um esquadrão da SAS recrutado na Austrália para auxiliar no combate na Malásia.
  • Bélgica, Belgian Special Forces Group. Que teve a origem ainda na Segunda Guerra Mundial, quando o 5th SAS Regiment recrutou voluntários para cruzar a Linha Siegfried.
  • Israel, Sayeret Matkal. Moldada no SAS e carrega o mesmo lema: "Quem ousa vence".
  • Estados Unidos, O 1st Special Forces Operational Detachment-Delta (1st SFOD-D), ou Força Delta baseada na SAS e profundamente influenciado pelos seus conceitos. Seu fundador, Charlie Beckwith, havia servido nos anos 60 na SAS, e voltou para as Forças Especiais do Exército Americano criando lá uma unidade que seguia o SAS.
  • Alemanha, GSG 9 - Unidade anti-terrorista da policia de fronteira alemã
  • Brasil, O 1º Batalhão de Forças Especiais é bastante influenciado pelo SAS.
  • SASNZ- Forças especiais da Nova Zelândia.
  • FSK (Forsvarets Spesialkommando),forças especiais da Noruega que participam ativamente de missões ao redor do mundo apoiando os EUA e OTAN possuim muito de influência do SAS,embora sobre o FSK existam muitas controvérsias sobre o seu treinamento quase kamikaze
D-A história  regional das forças especiais(Origem no Brasil)



A nível nacional  a Batalha de Guararapes,em torno de 1640 demonstrou o que uma unidade bem treinada pode fazer mesmo sendo menor em número.O bravo Antonio Dias Cardoso,apelidado o mestre das emboscadas, foi um valente soldado capaz de demonstrar que o mais astuto,inteligente e corajoso pode vencer alguém mais forte.Claro,junto a ele tal mérito também coube as forças brasileiras da época, comandadas por outros exemplares guerreiros brasileiros .
Em 1640 o Brasil conheceria,segundo fontes históricas a mais antiga unidade de forças especiais em território nacional.
A história dos Operadores de Forças Especiais do Exército Brasileiro remonta do século XVII, na Campanha de Guararapes, origem do próprio Exército Brasileiro. Em 1640, durante a 2ª Invasão Holandesa, o Patrono e maior exemplo dos Forças Especiais, o Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso foi enviado pelo Governador Geral da Colônia à Capitania de Pernambuco com a missão de organizar e instruir civis, índios nativos, brancos portugueses e seus descendentes já nascidos em solo pátrio, e negros escravos, para expulsar o invasor estrangeiro.

Neste intuito, Antônio Dias Cardoso infiltrou em território pernambucano grande quantidade de armamento e munição, aliciou líderes da região e recrutou a população, organizando-os, instruindo-os e equipando-os para comporem suas Forças de Resistência e Emboscada. Devido ao sucesso da Batalha do Monte das Tabocas, o pequeno efetivo organizado pelo Sargento-Mor foi transformado no Exército da Restauração, célula “mater” da Força Terrestre Brasileira que, utilizando táticas inéditas para a época e bastantes semelhantes às presentes na atual doutrina de nossas Forças de Operações Especiais, derrotou os holandeses nas duas batalhas dos Guararapes.

       Mais recentemente, em meados do século XX, as experiências e ensinamentos colhidos ao longo da 2ª Guerra Mundial impuseram ao Exército Brasileiro a evolução no campo das Operações Especiais. Assim, naquele momento, mais especificamente em 1957, deu-se início à história moderna das Forças Especiais Brasileiras, quando o Cel R/1 Gilberto Antônio Azevedo e Silva, após retornar de um intercâmbio com o Exército dos Estados Unidos da América, propôs a criação de uma unidade semelhante à tropa de Forças Especiais daquele país. Desta forma, sob sua liderança, os chamados "Pioneiros" realizaram o primeiro Curso de Operações Especiais de nossa Força Terrestre.

Em 1961, oficiais e sargentos com o curso de Operações Especiais foram aos Estados Unidos da América e trouxeram a doutrina dos "Special Forces" e "Rangers", adaptando-a às características e peculiaridades de nosso País.
       Em 12 de agosto de 1968, finalmente foi criado o Destacamento de Forças Especiais, subordinado à Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, fato que deu início ao desenvolvimento e emprego da doutrina brasileira de Forças Especiais no Exército. Paralelamente, findando um processo que perdurou por cerca de 10 anos, após cursos, instruções e um trabalho árduo e determinado de nossos "Pioneiros", foram organizados, em 1968, os primeiros Curso de Ações de Comandos e de Forças Especiais.

 O final do século XX e os conflitos militares que se avolumavam naqueles anos mostraram uma tendência de emprego, cada vez maior, de Forças de Operações Especiais, o que foi determinante para a criação do 1º Batalhão de Forças Especiais, em 30 de setembro de 1983, a partir do núcleo do Destacamento de Forças Especiais. Esta Unidade instalou-se, no ano seguinte, no Camboatá, na cidade do Rio de Janeiro.
       Por seus feitos e glórias como uma das principais Reservas Estratégicas do Exército, em 1991 este Batalhão recebeu a denominação histórica de Batalhão Antônio Dias Cardoso, uma justa homenagem ao Sargento-Mor considerado o primeiro Operador de Forças Especiais do Brasil.

Entenda a história da primeira Batalha de Guararapes nos vídeos abaixo:


Ou seja, as forças especiais do Brasil possuem origem quando a Holanda tentou invadir o Brasil.Nesse combate os brasileiros unidos em um grupo multiétnico e em menor quantidade numérica venceram um exército muito maior(o n°1 da época) usando técnicas de guerrilha e emboscadas,surgindo assim as forças especiais brasileiras. No século 20 tal doutrina foi modernizada e atualizada baseando-se nos métodos das forças especiais e comandos do Reino Unido via Estados Unidos da América que também usaram de base o Reino Unido.E alguns manuais militares do Brasil assim como a doutrina brasileira(o Brasil atualmente uma doutrina made in Brasil) muito se parecem com os métodos das forças especiais da França. Veja abaixo o filme: