segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Tipos de missões das forças especiais: O que fazem e como atuam as forças especiais

                           Seal norte-americano na selva do Vietnã. Notem a antiga camuflagem tigrada usada durante aquela guerra por esta unidade.

Certos relatos de colegas militares de forças especiais extremamente operacionais geraram este post: 

Um disse em  seu livro que  qualquer unidade militar poderia ocupar um local e atirar indiscriminadamente.

O outro disse que qualquer um pode apertar o gatilho no momento de atacar sem diferenciar o inimigo do inocente. O problema seria decidir o momento justo e de atirar somente no inimigo.

Duas frases, duas verdades.

Infelizmente, o público leigo ainda acha que tudo resolve-se no "grito, tiro e bomba" e que esse é o principal papel das forças especiais. Estas pessoas enxergam o combatente de forças especiais como um militar troglodita  que fala sempre em vibração, cita girias militares e que berra muito sobre pagar canguru e flexão. Outros acham que unidades especializadas como infantaria de selva e paraquedistas são unidades de forças especiais.

Na verdade, estas pessoas estão um tanto enganadas.

As  missões das forças especiais são bem mais complexas e por isso exigem militares inteligentes. Tais militares por serem mais bem treinados demandam um investimento maior por parte do governo incluindo o tempo e passando pela parte financeira. O treinamento consome a maior parte das reservas fincaneiras. E bem depois podemos falar sobre o equipamento. Os militares de  forças especiais devem decidir rapidamente sobre como atuar em ambientes complexos em diversos setores e muitas vezes com tempo limitado, inclusive levando em conta o que suas atitudes podem gerar no futuro para os nativos e ambiente ao seu redor. 

"Grito, tiro e bomba" existe sim mas nem sempre é o caso na maioria das vezes na maioria das missões. Militares de forças especiais treinam em selva, montanha, deserto e como paraquedistas para saberem operar nestes ambientes operacionais particulares e como paraquedistas como meio de transporte.

E particularidades envolvem as missões das forças especiais. Por isso poucos possuem o perfil de um operador destas unidades.

Primeiro, tais missões seguem uma cadeia de comando com objetivos bem definidos. E tudos isso segue uma doutrina militar que varia de nação para nação,o governante no poder, leis vigentes locais, etc. O que pode ser considerada uma missão de força espcial aqui pode não ser em outro lugar. Elas exigem planejamento detalhado constantemente atualizando os informes. Por isso muitas unidades de forças especiais trabalham juntos com serviços de inteligência.

Segundo, em grande parte do planeta, os militares das forças especiais decidem como operar no ambiente operacional. Devem ser persistentes mas inteligentes.. Os militares das forças especiais DEVEM tomar a iniciativa pois geralmente o comando das forças especiais se monstra DECENTRALIZADO. O SAS e Seals por exemplo permitem um grande grau de liberdade para que os seus militares (incluindo soldados e praças) decidam como cumprir as suas missões bem distantes dos generais longe do ambiente operacional. Isso existe frieza, capaciade de liderar, decidir e tomar a iniciativa levando muitos fatores em conta.

Mas quais são estas missões? Veja tudo explicado abaixo com alguns exemplos: 


-Reconhecimento: A misssão principal das forças especiais sempre foi obter dados de inteligência militar.  O reconhecimento  é realizado por pequenas unidades de militares altamente treinados, geralmente de unidades de forças especiais ou organizações de inteligência militar, que operam atrás das linhas inimigas, evitando o combate direto e a detecção pelo inimigo. Como uma função, o reconhecimento é diferente das operações de comando, mas ambas são freqüentemente realizadas pelas mesmas unidades. O papel do reconhecimento inclui obter informes sobre o inimigo bem atrás das linhas inimigas e geralamente sem ataca-lo diretamente e sim preparando um ataque. O reconhecimento especial inclui a direção oculta de ataques aéreos e de mísseis, em áreas bem atrás das linhas inimigas, colocação de sensores monitorados remotamente e preparações para outras forças especiais. Como outras forças especiais, as unidades de reconhecimento também podem realizar ações diretas e guerras não convencionais, incluindo operações de guerrilha. No direito internacional, a missão de reconhecimento não é considerada espionagem se os combatentes estiverem em uniformes adequados, independentemente da formação, de acordo com a Convenção de Haia de 1907, ou a Quarta Convenção de Genebra de 1949. No entanto, alguns países não honram essas proteções legais, como foi o caso da "Ordem de Comando" nazista da Segunda Guerra Mundial, considerada ilegal nos Julgamentos de Nuremberg.

Exemplos: O SAS e SBS atuaram como unidades de reconhecimento antes da guerra das Malvinas e o SAS atuou na operação Barras na Serra Leoa.


-Ação direta: Ação direta são operações militares como incursões, emboscadas, sabotagem ou ações semelhantes. Podem ser realizadas por unidades militares convencionais mais especializadas (fuzileiros, paraquedistas, infantarias de selva, infantaria leve e outros tipos de unidades similares), unidades de comandos ou forças especiais. Quanto mais precisa a operacao mais necessárias e presentes se fazem as unidades de forças especiais.

Exemplos: O SAS australiano (foto acima) realizou diveras emboscadas durate a guerra do Vietnã com um excelente aproveitamento.  

-Guerra não convencional/ guerra irregular: A guerra não convencional é o apoio de uma insurgência estrangeira ou movimento de resistência CONTRA seu governo ou uma potência ocupante. Enquanto a guerra convencional é usada para reduzir a capacidade militar do oponente diretamente por meio de ataques e manobras, a guerra não convencional é uma tentativa de alcançar a vitória indiretamente por meio de uma força substituta local com o apoio dos nativos. A  guerra não convenciona contrasta com a guerra convencional em que as forças são freqüentemente encobertas ou não bem definidas e depende fortemente de subversão e guerra de guerrilha. Sabotagem e propaganda podem ser ferramentas importantes neste tipo de guerra.

Exemplo: A recente euforia de alguns jornais estrangeiros minando o governo do Brasil sobre a Amazonia pode ser considerada um exemplo de propaganda aplicada a guerra irregular.



-Contra-insurgência: Alguns autores consideram contra-insurgência como o oposto da guerra irregular. e definida  como "esforços civis e militares (aonde entram as forças especiais e unidades convencionais)  abrangentes que APOIAM o seu governo para derrotar e conter a insurgência (guerrilheiros) simultaneamente e abordar suas causas  e raízes.

Exemplo: A melhor unidade de forças especiais africana, os Selous Scouts, operavam com maestria eliminindo terroristas vivendo no mesmo ambiente que eles.


-Contra-terrorismo: Diveros tipos de missões das forças especiais aqui ligadas com as missões acima mas podemos destacar: 



  • Caça a alvos de alto valor:
    Operações militares por forças de operações especiais e organizações de inteligência para procurar e capturar ou matar combatentes inimigos importantes, conhecidos como alvos de alto valor. Exemplo: a operação que elimininou bin laden



  • Resgate de reféns: Método de recuperação de pessoal usado para recuperar pessoal isolado normalmente sequestrado pelo inimigo/ terroristas. Exemplo: O resgate dos reféns realizado pelo SAS em Londres, na embaixada do Irã (Fotos acima)

-Operações clandestinas: (Black ops) Operação secreta ou clandestina  é uma operação realizada por uma agência governamental, uma unidade militar (normalmente forças especiais)  ou uma organização paramilitar; pode incluir atividades de empresas ou grupos privados. As principais características das operações clandestinas são que não podem ser atribuída à  qualquer organização que a executa.

Exemplo: Alguns jornalistas sugerem que militares russos estejam atuado na Siria. O governo russo nega.


-Proteção de dignatários (VIP): Proteção de autoridades, governantes e convidados do governo realizada de modo velado com o apoio de militares que demonstram uma atitude mais direta. Dependendo a doutrina militar do lugar pode ser realizada pelas forças especiais ou unidades especializadas deste tipo de atividade.

Exemplo: O presidente norte-americano e a realeza do Reino Unido foram protegidos por um tempo por membros das forças especiais.


-Defesa Interna Estrangeira (DIE):  Participação de agências civis e militares de um governo em qualquer um dos programas de ação realizados por outro governo ou outra organização designada para libertar e proteger sua sociedade da subversão, ilegalidade, insurgência, terrorismo e outras ameaças à sua segurança ”

O DIE é a espinha dorsal do que as Forças Especiais fazem junto com a Guerra Não Convencional. A chave para o FID é construir relacionamento com as forças da nação anfitriã. E ter o idioma e a formação cultural para entender, se adaptar, se comunicar bem, ajudar e prosperar com os locais é vital. As tropas das Forças Especiais dos Estados Unidos por exemplo recebem de 4 a 6 meses (mínimo) de treinamento em idiomas antes de irem para os grupos operacionais.

Em uma situação de combate ou missão DIE de tempo de guerra, as unidades lideram e às vezes criam uma nova unidade onde houver necessidade. As unidades são selecionadas, treinadas e lideradas por pessoal das forças especiais. A próxima fase é a unidade de forças especiais então aconselhar as unidades locais através de toda a sequência da missão e acompanhá-los em suas missões. E, uma vez que as forças locais sejam capazes de conduzir operações unilaterais sem assistência, a missão está completa.

Exemplo: O treinamento oferecido a militares africanos por norte-americanos.

À medida que o clima da guerra continua a mudar, as nuances da guerra tornam-se mais complexas. Grandes ataques de ação direta por forças especiais podem não ser uma opção realista sempre e forças amigas poderiam ser treinadas na fronteira para realizar a mesma missão mas as mesmas no futuro podem vir a se tornarem inimigas. Por outro lado, nenhuma unidade militar do planeta vence tudo sozinha e todo mundo precisa de aliados.

 A guerra é um jogo de xadrez e, às vezes, a jogada mais descarada não é a mais inteligente.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Assaltos em Santa Catarina: Quando os governantes e o povo abandonam a importância da segurança


Os excelentes precursores paraquedistas (acima), a primeira tropa de  forças especiais do Brasil, foi usada com sucesso para reconhecimento e incursões  no combate aos narcoterroristas em favelas. Mas outras medidas a longo prazo com o apoio de civis e locais precisam urgentemente ser tomadas.

Quando a pandemia iniciou e  as pessoas assustadas estocavam mantimentos desesperadamente  e lembro de ter visto um post na internet um norte-americado que vive no isolado Alasca postando: "Se você  for incapaz de defender o que possui, tudo o que você possui é meu".

Em resumo: sem uma sociedade com uma segurança pública organizada e pessoas incapazes de se defender, impera a lei do mais forte e este pode ser a vir um meliante.

Inicialmente, este blog tratou sempre sobre forças especiais e não falamos muito sobre a segurança pública dos estados do Brasil. Unidades especias e forças armadas foram usadas como unidades policiais no Brasil recentemente e isso inclusive aconteceu em outros lugares. Mas isso somente parece  não ser o bastante.

Os recentes acontecimentos no estado de Santa Catarina e eventos passados no RJ e SP deveriam instigar um debate nos brasileiros sobre o importante papel dos agentes de segurança, neste caso especialmente sobre a necessidade absoluta de policiais operacionais e gestores com um eficiente sisema de inteligência que saibam se aliar aos civis visando um trabalho a longo prazo combatendo o crime organizado, narcoterroristas e afins.

Aos leitores e leitoras: Estes tipos de crimes violentos NUNCA deveriam ser vistos como algo normal em qualquer estado brasileiro.

Vejo paulistanos e cariocas celebrando os assaltos em SC como formar de zombar dos outros estados ou arrotando uma soberba por viverem em estados violentos devido ao narcoterrorismo e por isso pensam serem mais fortes.Os mesmos paulistanos e cariocas nunca deveriam achar este tipo de crime normal. E favelas, bandidos, crime e pobreza NUNCA deveriam ser romantizados como lugares bom de se morar e exemplos de vida. 

Este tipo de mentalidade do POVO precisa mudar. ISTO NUNCA DEVERIA SER ASSIM e mostra o caos e os valores invertidos em que nos encontramos nos dias de hoje.

Os recentes assaltos em SC e outras cidades do Brasil mostram que os meliantes devem ser vistos e combatidos como o que são: meliantes. 

Acredito que esta situação desoladora seja fruto de governos negligentes com a segurança que deixaram o país de forma direta e indireta por anos nas mão dos chefes do narcoterrorismo, financiados por criminosos de colarinho branco. Provavelmente tendo alguns envolvidos com governantes. 

O povo infelizmente desconhece o trabalho importante das policiais e forças armadas e muitos as critciam sem se informar. Muitos inocentes acham que vivem em uma terra prometida e que tudo vai se ajeita ao andar das carroças sem planejamento. Negligenciam a vida que possuem muitas vezes pois "isso somente acontece com os outros" e para serem do contra, apoiam os criminosos.

Infelizmente, alguma minoria de policiais fazem parte de quadrilhas e jogam no lixo a honra de servir e proteger o povo. Outros limitam-se a pensar  INOCENTEMENTE que o trabalho dos policiais e militares limitam-se a incursões sem limites e não  consdieram ações de inteligência e nem tampouco o trabalho a longo prazo buscando o apoio dos locais.

Outros partidos como PT e PSOL usam e abusam de relavismo moral com o seu "tude deve ser permitido" e combatem o trabalho de bons policiais inclusive com professores militantes em univerisdades.

Tudo isso deve mudar urgentemente se o povo quiser viver em paz.

Lembremos: Em geral a policia está sucateada e de mãos amarradas pelo garantismo jurídico dos indicados por certos governantes. 50, 60 criminosos bem organizados e com armamento militar sitiando uma cidade importante de SC como aconteceu em SP e RJ mostra o descaso com que tratamos a nossa segurança e setores de inteligência, sendo isso administrado terrivelmente pelo Estado que por sua vez não anda sendo muito eficiente.

Filmagens abaixo: O pessoal brincando no chat da live numa situação dessas demonstra uma atitude vergonhosa.




 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Veteranos de guerra e militares respeitados mundo afora, menos no Brasil: vergonhoso.


Ontem foi celebrado o Dia do Armistício na Europa e que os americanos chamam de dia dos Veteranos de guerra.

Qual é a diferença entre o Dia da Memória e o Dia do Armistício?

O Dia do Armistício é em 11 de novembro e também é conhecido como Dia da Memória. Marca o dia do fim da Primeira Guerra Mundial, às 11h do 11º dia do 11º mês, em 1918. O Domingo da Lembrança também é marcado todos os anos, este cai no segundo domingo de novembro. Militares de todos os conflitos e a sociedade celebram respeitosamente estas datas vestido uma papoula nas suas roupas.

Sim , o dia da vitória na Segunda Guerra Mundial é celebrado pelo Exército Brasileiro no dia do Expedicionário, 5 de maio, mas quem mais comemora? E da FAB quem na sociedade lembra?  Nem o nosso presidente formado em academia militar e para-quedista fala algo. Nossos deputados, senadores, prefeitos e governadores? Calados. O povo em geral nem sabe que os militares brasileiros estiveram arriscando a vida pela nossa liberdade durante a II guerra mundial. Tem imbecil chamando hoje os bravos velhinhos de nazistas e fascistas quando eles estavam LUTANDO CONTRA ESTAS IDEOLOGIAS.

Muitos lugares comemoram e honram os seus guerreiros mortos ou os que sobreviveram com as cicatrizes da guerram nem sempre carregada nos corpo mas sim na mente.

Passou da hora do Brasil celebrar com respeito o Dia do Armistício e honrar quem no passado arriscou a vida pela nossa liberdade.


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Unidades de operações especiais de nível 1 e nível 2


Militares da Delta Force norte-americana (nível 1), unidade modelada no regime do SAS do Reino Unido. A Força Delta - criada por um comandante dos EUA que serviu com o SAS - recruta apenas os melhores dos melhores e joga de acordo com suas próprias regras de combate.

O caro leitor ou a leitora alguma vez ouviu falar de unidades de Operações Especiais nível 1 e nível 2?

Claro, isso segundo a doutrina militar norte-americana. Aos militares desavisados e leigos: cada nação tem a sua doutrinar militar que se origina na cultura e leis locais, nos seus governantes e militares que comandam as suas FAs. E nem todas copiam o modelo norte-americano. Os ingleses, por exemplo, possuem a sua doutrina assim como os russos.

O termo Tier 1 (Nível Um) nas Forças Armadas dos Estados Unidos  é freqüentemente entendido como a nata das unidades de elite.  É particularmente usado para descrever algumas Forças de Operações Especiais militares que atuam envolvidas em operações militares de alto nível e risco, como a  morte de Osama Bin Laden (Team 6) e do chefe do Estado Islamico (Delta Force). 

Nos Estados Unidos, as unidades Nível 1 são equipes fechadas compostas por convite. Eles estão sob o ultrassecreto Comando de Operações Especiais Conjuntas (JSOC), que está dentro do USSOCOM. Eles são os melhores dos melhores dos melhores. Freqüentemente, integram com equipes coordenadas e comandadas pela Divisão de Atividades Especiais da CIA em equipes chamadas Grupos de Operações Especiais, quando a negação política da missão é totalmente necessária (missões clandestinas).

Algo como se os FE do Brasil agissem em conjunto com unidades da ABIN.

Os operadores atribuídos às unidades de Nível 1 são o creme de la creme das forças de operações especiais; geralmente, a admissão em unidades de Nível 1 só é possível após o serviço em uma unidade de Nível 2 no modelo norte-americano. Por exemplo, para ser um DEVGRU (Seal team 6), deve-se também ser um Seal experiente, ao contrário das equipes SEAL regulares, cuja admissão não requer serviço militar prévio. Para quem desconhece, muitos SEALs regulares se alistam diretamente da vida civil. Como se um civil pudesse entrar diretamente no GRUMEC.

Por outro lado, na Delta Force, a maior parte da unidade vem dos boinas verdes ou US Rangers , mas não é um pré-requisito. Os membros da Delta Force podem vir de unidades tradicionais de infantaria e não infantaria desde que passem no duro processo seletivo e sejam militares experientes com pelo menos algum tempo em atividade. O mesmo acontece no SAS do Reino Unido. Para entrar no SAS usando um exemplo exagerado,o militar pode ter sido um cozinheiro ou militar burocrata com algum tempo na ativa. Mas desde que passe no complexo processo seletivo e tenha o treinamento standard que vai nivelar todos os militares desta unidade, o militar vai poder operar ao mesmo tempo que vai aprender mais na lida como militar e fazendo cursos quando tiver tempo livre.

O conjunto de habilidades que os candidatos de Nível 1 teriam devido ao serviço anterior em unidades de Nível 2 seriam habilidades de tiro impecáveis, habilidades de explosivos e conhecimento de táticas de estratégia militar, habilidades de patrulha  impecáveis, treinamento psicológico para resistir à tortura / interrogatório e treinado em táticas de evasão, como treinamento de sobrevivência, evasão, resistência e fuga (SERE).  etc. 

Mas isso pode ser diferente como podemos ver no SAS e Delta Force.

Em alguns pontos, também é possível que membros das unidades de Nível 2, como os do 75º Regimento de Rangers, Forças Especiais e 160º SOAR do Exército sejam controlados pelo JSOC quando implantados como parte das Forças-Tarefa JSOC, como a Força-Tarefa 121 e a Tarefa Força 145.

Existem apenas quatro SMUs Tier 1 reconhecidas nos Estados Unidos:

  • Força DELTA (1ª Delta Operacional das Forças Especiais) - Exército dos EUA
  • DEVGRU (Naval Special Warfare Development Group, Seal Team Six) - Marinha dos EUA
  • 24º Esquadrão de Táticas Especiais - Força Aérea dos EUA
  • Atividade de Apoio à Inteligência (ISA) - CIA

No Reino Unido a coisa muda um pouco....pois a doutrina muda.

O SAS e o SBS às vezes são chamados de unidades de SF de ' nível 1 ' porque são as unidades normalmente encarregadas de ação direta. 18 (UKSF) O Regimento de Sinais, o SRR (Regimento de Reconhecimento Especial) e o SFSG (Grupo de Apoio das Forças Especiais) são referidos como unidades de ' nível 2', pois geralmente desempenham um papel de apoio para as unidades de  nível 1. E na doutrina britânica nem sempre militares de unidades de nível 1 devem passar obrigatoriamente por unidades de nível 2 como acontece em geral nos Estados Unidos.

Os para-quedistas britânicos assim como os fuzileiros navais britânicos (embora tenham o termo comando) sempre foram considerados bons soldados não são considerados Forças Especiais. A unidade de Forças Especiais da Marinha do Reino Unido, que em geral seleciona seus militares dos fuzileiros navais, chama-se SBS.

A doutrina das unidades francesas parece ser similar as unidades norte-americanas. 

As Forças Armadas francesas têm muitas unidades de forças especiais à sua disposição, como o Comando Hubert, GIGN e outras forças de reação rápida de grande capacidade. Da mesma forma que nas forças armadas dos EUA, ele pode ser classificado em uma forma de níveis militares (Nível 1, Nível 2, Nível 3).

Se usar o termo Forças Especiais estritamente, significando que são operadores designados como Unidades de Missões Especiais (SMUs), então citamos o GIGN, a 1RPMIa e o Comando Hubert

A principal unidade de operações especiais dos militares franceses é a 1RPMIa (1er Regiment Parachutiste D'Infanterie de Marine), a unidade do Exército que realiza missões semelhantes às realizadas pelas principais Forças Especiais da OTAN designadas Tier 1 - como o Serviço Aéreo Especial Britânico (SAS ), Delta Force ou SEAL Team 6 (DevGru).

O GIGN (Groupe d'intervention de la Gendarmerie Nationale) é uma unidade policial muito respeitada na comunidade das Forças Especiais e cuida de coisas que designaríamos para os militares. No entanto, o GIGN também realiza operações para os militares e é um SMU designado.

Comando Hubert D’Actions Sous Marines (CHSM) são mergulhadores de combate como os SEALs e o SBS e são o SMU da Marinha.

Todas as Forças Especiais Militares francesas estão sob o Comando de Operações Especiais (COS), que foi implementado após a Tempestade no Deserto para combinar os esforços de Operações Especiais do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

O COS é como o Comando de Operações Especiais Conjuntas dos EUA - JSOC.

Mas e a Legião estrangeira Francesa?

Bem, esta honrosa e tradicional unidade que muitos brasileiros fazem parte nunca foi considerada uma unidade de forças especiais.

Comparar a Legião com unidades como SAS, DEVGRU ou Delta Force simplesmente não é possível. A Legião Estrangeira Francesa poderia ser mais semelhante a 101ª Divisão Aerotransportada norte-americana ( Similar a nossa brigada para-quedista) e algumas outras unidades militares “regulares”mais bem treinadas e com uma história um pouco melhor do que as unidades militares “comuns”.

A Legião tem sua própria unidade especial, o GCP (Groupement Commando Parachutiste), que é uma unidade com pessoal selecionado entre o 2ème REP, um já regimento de pára-quedistas de elite da Legião. 

Essa é uma das coisas mais básicas que fazem a especialidade desta unidade. Enquanto o resto do 2ème REP é composto por pára-quedistas convencionais, esses homens são “chuteurs operationels”. Eles abrem seu pára-quedas na altitude desejada para atingir o tipo de infiltração que os paraquedistas convencionais não são capazes (os paraquedistas convencionais usam uma linha estática para abrir seu paraquedista).

Embora não se qualifiquem como forças especiais, o GCP da Legião Estrangeira Francesa realiza missões do tipo comando, o que significa reconhecimento, marcação de alvos, incursões, resgate de reféns, extração ou destruição de alvos de alto valor, etc, que são bastante limitados no tempo e espaço, quando as operações das forças especiais podem durar meses e ser de natureza muito diferente. Eles parecem ser similares aos nossos comandos.

O 1º regimento de engenheiros estrangeiros tem uma unidade chamada Dinops que são mergulhadores de combate subaquáticos, em termos de habilidade eles são como o GCP que alguns consideram forças especiais enquanto outros os consideram comandos. Se você for membro do segundo regimento de engenheiros estrangeiros, pode tentar o treinamento GCM, que é um grupo novamente como o GCP. O GCM é composto de comandos de montanha que recrutam de todas as 27ª brigadas de montanha, que incluem principalmente unidades do exército francês.


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Comandos, Pára-quedistas e Corpo de Inteligência celebram 80 anos no Exército Britânico.



Este ano celebra-se o 80º aniversário da fundação de três elementos especiais do Exército Britânico. Neste artigo, veremos seus fundamentos e o papel vital que eles ainda desempenham hoje. Estas unidades foram essenciais na luta contra o fascismo e nazismo. Uma boa leitura para os analfabetos que acham que ser militar tem a ver com ser fascista. Estas unidades lutaram com o mesmo objetivo da nossa FEP e pracinhas: acabar com nazismo e fascismo durante a II guerra mundial.

Em outros lugares estes 3 elementos existiam mas as unidades do Reino Unido em geral foram as que serviram de modelo para outras unidades mundo afora. Como exemplo postramos sobre o SAS em posts passados. Procurem nos posts antigos.

Que fique claro: Comandos, forças especiais, Pára-quedistas e Corpo de Inteligência podem vir a atuar juntos mas sempre foram 4 tipos de unidades DIFERENTES e com missões DIFERENTES.

Em 6 de junho de 1940, apenas alguns dias após a evacuação bem-sucedida da Força Expedicionária Britânica das praias de Dunquerque, Churchill ordenou a criação de formações que 'incendiariam a Europa'. Essa ordem e as valiosas lições aprendidas com a derrota na França ajudariam a criar os comandos do exército, o regimento de pára-quedas e o corpo de inteligência.

Cada um deles ganhou reputação invejável durante a Segunda Guerra Mundial e mais além, mas foram fundados com o mesmo espírito de adaptação e inovação que impulsiona o Exército hoje.

Comandos do Exército - Embora hoje associamos o nome 'Comando' aos fuzileiros navais reais, as primeiras unidades de comando foram estabelecidas pelo Exército britânico em resposta às instruções de Churchill. A idéia de unidades de comando surgiu do uso de combatentes ágeis, determinados e habilidosos pelas repúblicas holandesas na Guerra Anglo-Boer (1899-1902).

Durante a guerra, os comandos dos bôeres haviam atado com sucesso o exército britânico em ataques rápidos e precisos, que forçaram as forças mais convencionais a ficarem continuamente em guarda e a espalhar-se por pouco tempo. Era isso que Churchill desejava imitar.

A partir do final de junho de 1940, as unidades do Comando do Exército lançariam ataques através do Canal, desviando com sucesso os recursos alemães para proteger suas forças de ataques que iriam atacar no escuro, causando destruição. Mais tarde na guerra, forças maiores dos comandos do exército britânico participariam do ataque a Dieppe e no dia D. Os comandos não apenas lutavam na Europa, mas seriam usados ​​com grande efeito contra o inimigo na Birmânia.



Após a Segunda Guerra Mundial, as unidades de Comando do Exército foram dissolvidas, com apenas os Royal Marines Commandos sobrevivendo no papel. O Exército continuou a fornecer funções especializadas, no entanto, em áreas como artilharia, apoio de engenheiros e logística, fornecendo apoio inestimável aos fuzileiros navais. Hoje, há pessoal do Comando do Exército ligado à 3 Brigada de Comando da Marinha Real, oferecendo agilidade e adaptabilidade com alta prontidão.

O Regimento de Pára-Quedistas - O Regimento de  Pára-Quedistas  foi formado em 22 de junho de 1940 como resultado direto da observação da eficácia dos pára-quedistas alemães na invasão da Europa Ocidental. Mais uma vez, foi Winston Churchill quem deu o ímpeto, exigindo que o Chefe do Estado Maior Imperial estabelecesse e treinasse uma força de pelo menos 5.000 homens para fornecer o mesmo ataque aéreo que havia surpreendido os aliados ocidentais. apenas algumas semanas antes.

Saltando de um avião perfeitamente útil para combater o inimigo exige um tipo muito especial de pessoa, o marechal-de-campo Montgomery os descreveria como 'Imperadores', essa era sua admiração por seu espírito de luta, coragem e adaptabilidade. Durante a guerra, os pára-quedistas britânicos ganharam uma reputação invejável, principalmente entre seus oponentes pelos quais eles eram "os diabos vermelhos".

Freqüentemente os primeiros a entrar em ação, os soldados do Regimento de Paraquedas provariam sua ferocidade nos combates na Normandia, em Arnhem e na travessia do Reno.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Regimento de Pára-Quedas continuou sendo parte integrante da Ordem de Batalha do Exército Britânico, demonstrando a coragem e a agressividade controlada pelas quais eles se tornaram palavras-chave. Seja nos desertos da Palestina, no Iraque ou no Afeganistão ou no árido charneca das Ilhas Falkland, eles mantêm e aproveitam suas honras conquistadas com tanto esforço. De muitas maneiras, seu papel mudou, mas seu espírito permanece e eles permanecem vitais para a capacidade do Reino Unido de projetar força globalmente.

O Corpo de Inteligência - Nosso Corpo final formado em 1940 é o Corpo de Inteligência. O Exército britânico tinha uma experiência considerável com unidades formadas de pessoal cujo trabalho era ver 'o outro lado da colina' tendo um Corpo de Inteligência de 1914 a 1929, mas entrou na Segunda Guerra Mundial com apenas algumas pequenas unidades treinadas para reunindo inteligência. A Batalha da França provou que o sistema britânico de coleta e interpretação de informações estava em falta e, como resultado, o Intelligence Corps foi fundado em 19 de julho de 1940.

Durante a guerra, o trabalho do Intelligence Corps foi envolto em segredo. Além de seu trabalho de apoio às forças convencionais para entender as disposições do inimigo, o pessoal do Intelligence Corps trabalhou no Executivo de Operações Especiais de Churchill, realizando missões ousadas de espionagem e sabotagem na Europa ocupada e ajudou a formar o Grupo do Deserto de Longo Alcance e o Serviço Aéreo Especial na Norte da África.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Intelligence Corps aprimorou sua reputação invejável em operações na Alemanha durante a Guerra Fria e na Irlanda do Norte durante os Problemas. Atualmente, o pessoal do Corpo está envolvido em uma série de atividades, incluindo análise de inteligência humana, inteligência de sinais e imagens, guerra eletrônica, contra-inteligência, segurança de campo, realização de interrogatórios e lidar com ameaças cibernéticas.

Conclusão.

À primeira vista, essas três formações podem parecer muito diferentes. No fundo, eles foram formados como uma reação inovadora à derrota na França, em junho de 1940. Esse espírito inovador e adaptável ainda está muito vivo no exército britânico de hoje, seja através do desenvolvimento de tecnologias de ponta no mundo ou da manutenção da altos padrões físicos e mentais. Essas três organizações, e o Exército do qual fazem parte, estão prontas para proteger e impedir, uma parte vital da defesa da nação.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Ninja, o verdadeiro soldado japonês das forças especiais


Desenho do ninja arquetípico de uma série de esboços de Hokusai. Impressão em xilogravura em papel. Volume seis, 1817.

Esqueça os samurais, eles eram bons guerreiros, mas eram muito sobre força e regras. Faltava inteligência na arte da guerra.

O verdadeiro soldado japonês das forças especiais eram os ninjas cuja sabedoria em guerra irregular e anos de treinamento na arte do combate direto, camuflagem e psicologia era extremamente elevadas.

Um ninja (忍者, pronúncia japonesa: [ɲiꜜɲdʑa]) ou shinobi (忍 び, [ɕinobi]) era um agente ou mercenário secreto no Japão feudal. As funções de um ninja incluem espionagem, decepção e ataques surpresa. Seus métodos secretos de travar guerras irregulares foram considerados desonrosos e sob a honra do samurai mas eram exremamente eficazes. Hoje unidades de forças especiais agem de modo muito similar aos ninjas, diferentemente de militares convencionais grosseiros.

Embora os ninjas propriamente ditos, como espiões e mercenários especialmente treinados, tenham aparecido no século XV durante o período Sengoku (séculos XV-XVII),  antecedentes podem ter existido desde o século XII.

Durante a agitação do período Sengoku, mercenários e espiões contratados se tornaram ativos na província de Iga e na área adjacente ao redor da vila de Kōga, e é dos clãs da área que grande parte do conhecimento do ninja é extraída. Após a unificação do Japão sob o xogunato de Tokugawa no século XVII, o ninja desapareceu na obscuridade. Vários manuais shinobi, freqüentemente baseados na filosofia militar chinesa, foram escritos nos séculos XVII e XVIII, principalmente os Bansenshukai (1676).

Na época da Restauração Meiji (1868), os shinobi haviam se tornado um tópico de imaginação e mistério popular no Japão. Os ninjas figuravam com destaque na lenda e no folclore, onde estavam associados a habilidades lendárias, como invisibilidade, caminhada na água e controle sobre os elementos naturais. Como conseqüência, sua percepção na cultura popular baseia-se mais nessas lendas e folclore do que nos reais espiões do período Sengoku. Tais mitos favoreceram a aura do ninja que hoje igualmente parece ser usada por  forças especiais  como forma de propanda ou gerar medo no inimigo.

Segundo um antigo manual ninja, o ninja tinha dois modos de operação: Innin (infiltração velada) e Yonin (infiltração não oculta). Isso parece ser similar a tipo de missões que FE fazem hoje em dia. Algumas doutrinas podem classificar em green operations, black operations, etc.

Neste excelente da TV japonesa podemos aprender como ninjas usavam a tecnologia do seu tempo e o treinamento avançado em guerra psicológica. Definitivamente operavam de modo muito sagaz.

 Veja as reencenações e também como recriaram e testaram um dispositivo de escuta ninja conhecido como "saotokikigane".

Clique no link para assistir : https://www3.nhk.or.jp/nhkworld/en/ondemand/video/3019107/?cid=wohk-fb-org_vod_nt_11-202003-001&fbclid=IwAR0Gmr6CTSuAWYeW3WP-w3Edrdu3ezIqKpcXMeff_k6Cshd-NJXf6bqj0pQ