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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Soldado das forças especiais britânicas salva civis em ataque terrorista no Quênia



Sempre postamos sofre as forças especiais britânicas aqui no blog por serem as mais antigas do planeta (criadas durante a II guerra), serem operacionais de verdade e sempre em atividade. Sem embustes e um exemplo a ser seguido.
Um soldado das forças especiais britânicas, que se encontrava fora de serviço mas perto local, foi o responsável pelo salvamento de vários civis no ataque terrorista de terça-feira num complexo hoteleiro em Nairobi, no Quênia, no dia 16 de Janeiro de 2019.
O homem, cuja identidade não foi revelada mas que pertence ao SAS ou SBS (diversas fontes afirmam coisas diferentes) e que já serviu em cenários de guerra como o Iraque e o Afeganistão, estava de folga, passeando no Centro da cidade quando se soube que o Hotel Dusit D2 estava sendo atacado. Dirigiu-se no seu carro para o local e foi um dos primeiros elementos das forças de segurança a chegar lá.
O militar estava no Quênia para ajudar no treinamento dos militares locais. O SAS e SBS (postamos sobre estas duas unidades aqui no nosso blog) ajudam a treinar militares de diversos lugares mantendo um elo influente de diversas partes do planeta com o Reino Unido. Ambas unidades ajudam no treinamento militar convencional, anti-terrorismo e guarda-costas. 



Sozinho, com armas na mão (uma carabina modificada Colt Diemaco C8 com supressor silenciador, uma faca de combate e uma pistola Glock 19 de 9mm) e um colete balístico (tudo ele pegou no porta-malas do carro), forçou a entrada no prédio. Para proteger sua identidade ele usava uma máscara (balaclava). Além de deter alguns dos terroristas, o homem ajudou a pôr os civis em segurança e a carregar os feridos para as ambulâncias.
Em quase todas as fotografias aparece agindo praticamente sozinho. "Enfrentar o perigo é o que as forças especiais fazem. Ele agiu com bravura e muito provavelmente salvou vidas", disse uma fonte citada pela imprensa britânica. Vários testemunhos dão conta da "coragem" do herói.
"Sem estes soldados teríamos perdido muito soldados em nossas guerras", confirmou uma fonte militar britânica.
Pelo menos 21 pessoas morreram no ataque terrorista de terça-feira. Pelas 15:00 (hora local), cinco homens atiraram explosivos contra veículos no parque de estacionamento e depois entraram no hotel onde um dos terroristas se fez explodir e os outros abriram fogo sobre as pessoas que estavam no lobby. O ataque foi reivindicado pela Al-Shabaab, rede terrorista islâmica com sede na Somália. Pelas 20:00, o ministro do Interior, Fred Matiang'i, anunciou que a situação já tinha sido controlada. Os cinco terroristas foram eliminados.



Os cerca de 30 feridos foram levados para os hospitais e pelo menos cem pessoas que estavam no hotel foram transportadas para um local seguro.
Segundo o jornal The Telegraph, uma fonte bem posicionada no governo britânico disse que o homem do SAS, que se sabe ser um Oficial Sênior, não comissionado, será recomendado para uma das maiores medalhas de galanteria, provavelmente a George Cross. Apenas a Victoria Cross é mais prestigiada.
Junto com este operador do SAS também colaboraram operados do US Navy Seals que estavam na capital do Quênia de serviço.



O SAS e SBS favorecem o militar que quer atuar em guerra irregular  e tem iniciativa. O governo do Reino Unido nunca comenta sobre atividades das forças especiais britânicas para proteger o militar e familiares devido as atividades secretas do SAS e SBS.

domingo, 31 de dezembro de 2017

SAS: guerra na selva e o treinamento das tropas inglesas para o combate na selva


Quando pessoas comentam sobre guerra na selva,desinformados e desinformadas pensam que somente o Brasil possui unidades militares que operam neste ambiente operacional. Ufanismo e falta de conhecimento parecem ser a principal causa destes atos inocentes.

Selvas existem ao redor do planeta e muitos lugares possuem unidades especializadas em guerra na selva.

O Reino Unido, embora seja distante geograficamente da selva possui unidades especializadas e que operam na selva desde a II guera antes do CIGS ser criado. E para ser parte do SAS, o militar deve passar por um duro treinamento neste ambiente durante a segunda fase do processo seletivo.

As tropas inglesas possuem um dos maiores e mais significativos repertórios de experiência em combate em selvas tropicais do mundo.

Desde que se tornou uma potência naval o Reino Unido enviou tropas para projetar poder nas selvas da América Central, África, Índia, Sudeste Asiático e Oceania. Essas experiências levaram os ingleses a perceber a elevada complexidade e dificuldade de operar nesse tipo de floresta. Observando um passado recente, algumas experiências merecem destaque:

1.A tropa dos chindits, considerada a maior tropa de operações especiais da II Guerra Mundial, foi formada e liderada pelo Maj Gen Orde Wingate para lutar contra os japoneses na Birmânia.
Empregando táticas de guerrilha; quebraram o mito da invencibilidade japonesa nos combates de selva. As duas principais expedições; Operação Longcloth (1943) e Operação Thursday(1944) foram caracterizadas pelo emprego de enormes efetivos realizando infiltrações de longo alcance para operar atrás das linhas japonesas. As operações foram marcadas por marchas prolongadas em terreno extremamente difícil, realizadas por tropas com alimentação restrita e desgasta por doenças como a malária e disenteria.

2.A Emergência Malaia ( Malayan Emergency), combate de guerrilha travado
entre as tropas da Comunidade Britânica (Commonwealth) e o Exército de Libertação Nacional Malaio (Malayan National Liberation Army -MNLA), o braço armado do Partido Comunista Malaio (Malayan Communist Party-MCP), de 1948 a 1960; ao final, os comunistas foram derrotados. O SAS estava presente neste conflito

3.Confronto Malásia-Indonésia entre 1962–1966 a Malasia e a Indonésia se
enfrentaram em um conflito não declarado que envolveu tropas da Austrália,
Nova Zelândia e Reino Unido. O conflito consistiu na oposição política e armada da Indonésia à criação da Federação da Malásia que representava a manutenção da área de influência britânica na região, apesar da independência formal de suas colônias no sudeste asiático, o resultado foi favorável ao Reino Unido. O SAS participou deste conflito;

4.Apesar de estar saindo de dois conflitos desgastantes, os britânicos apoiaram seus os estados Unidos, seus aliados históricos e enviaram um modesto contingente para a Guerra do Vietnam, visando compartilhar os ensinamentos de suas experiências recentes na Oceania e Malásia.

5.A Operação Barras (Operation Barras) foi uma operação das Forças Armadas Britânicas ocorrida em Serra Leoa em setembro de 2000. O objetivo era resgatar cinco soldados britânicos do “Royal Irish Regiment” que haviam sido capturados pelo grupo miliciano “West Side Boys”. Os militares integravam uma patrulha que retornava de uma visita às tropas jordanianas integrantes da missão de paz da missão da ONU (United Nations Mission in Sierra Leone -UNAMSIL) em Masiaka no dia 25 de agosto de 2000 quando foram capturados pelos rebeldes e levados para uma área remota (Gberi Bana). Devido ao insucesso nas negociações e temendo que os militares fossem transferidos para local ignorado,
o Governo Britânico autorizou o desencadeamento do resgate que foi executado a 10 de setembro do mesmo ano. Na operação participaram O Esquadrão D do 22º Regimento do SAS (D Squadron, 22 Regiment Special Air Service) e uma Companhia do 1º Regimento de Paraquedistas ( 1 PARA). Como saldo, a Operação Barras libertou os cinco soldados capturados além de vinte e um civis sequestrados pelos rebeldes. Durante o assalto, morreram 25 integrantes da
facção e 18 foram aprisionados juntamente com seu líder, Foday Kallay e
entregues às Forças de Segurança de Serra Leoa. 1 soldado inglês morreu na operação. Nas semanas seguintes, vários rebeldes abandonaram a área e 300 se renderam ás forças da ONU (UNAMSIL).

6.Embora não seja uma área se selva tropical, os ingleses afirmaram que a
“ Green Zone” do Iraque é uma região onde eles tem aplicado constantemente técnicas, táticas e procedimentos de operações na selva,
particularmente, rastreamento, devido á densidade da vegetação. Por isso,
algumas de suas tropas tem realizado instruções no centro de treinamento
de Brunei antes de entrar na área de operações. Devido a isso, sempre tiveram uma atenção especial em manter centros de treinamento permanentes onde pudessem enviar suas tropas. Até o final de 2010 as Forças Armadas do Reino Unido possuíam três centros de treinamento de combate em selva em três continentes diferentes: British Army Training Support Unit Belize (BATSUB), em Belize; o British Army Training and Liaison Staff Kenya (BATLSK), no Quênia; e o Jungle Warfare Wing (JWW), em Brunei-ilha de Borneo.
Em 2010 o BATSUB foi visitado por dois militares do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e em seguida enviou uma comitiva para visitar a escola brasileira situada em Manaus. No ano seguinte, dois integrantes do exército inglês frequentaram o Curso de Operações na Selva em Manaus-AM.
A existência desses três centros de treinamento também serviam para projetar poder militar inglês e manter área de influência da coroa inglesa. Entretanto, os elevados custos logísticos e a evolução do cenário internacional levaram os ingleses a rever suas necessidades, levando ao fechamento do BATSUB em novembro de 2011. Naquela oportunidade, foi realizada uma grande doação de equipamentos para as Forças de Defesa de Belize (BDF-Belize Defense Forces).
Apesar do fechamento do BATSUB, os ingleses permanecem enviando tropas para realizar treinamentos nas florestas de Belize, ainda que em menor escala.
Considerando-se um escalonamento da qualidade e quantidade do aporte de meios, as forças armadas inglesas sempre priorizaram o JWW, seguido pelo BATSUB e , por fim, o BATLSK.
Segundo os ingleses, o ambiente de selva é considerado um dos mais difíceis e sensíveis para a condução de operações. Uma dessas evidências é que o curso de formação do SAS (Special Air Service - Forças Especiais Inglesas), com reputação reconhecida internacionalmente, realiza um treinamento de seis semanas na escola de Brunei; sendo o ambiente operacional em que os alunos permanecem mais tempo dentre todos (montanha, desertos, neve, dentre outros).
Cartão de controle dos alunos no BATSUB.

Jungle Warfare Instructors Course

O JWW tem suas origens no “Bush Warfare Schools “da II Guerra Mundial.
Atualmente é um centro de instrução de rastreamento e operações na selva.
Os ingleses possuem basicamente 4 módulos de instrução que foram replicados no BATSUB e no BATLSK direcionados para Operações na Selva e rastreamento. O Jungle Warfare Instructors Course tem a duração de 6 semanas. O objetivo do curso é treinar ,selecionar e capacitar oficiais e sargentos no planejamento, supervisão e condução de treinamentos de escalão até subunidades a operar em ambiente de selva tropical de acordo com as táticas e doutrinas vigentes.
No contexto atual do Exército britânico, desde 2003 houve uma redução
na ênfase no treinamento sem selva devido a natureza das operações atuais
no Afeganistão, a partir de 2008 tem sido enfatizada uma aliança na
segurança global, técnicas de rastreamento e as tropas especiais como
SAS tem priorizado treinamentos dos fundamentos como tiro e orientação
por exemplo.
O curso é dividido em várias fases distintas. O período de adaptação destina-se a facilitar a aclimatação doa militares, realização de exames técnicos individuais , instruções teóricas introdutórias e participação de um dia prático de sobrevivência na selva (Survival Day). Já na fase de desenvolvimento de habilidades iniciais o militar tem contato com a confecção de abrigos e armadilhas, orientação/navegação, módulos de tiro na selva,
transposição de obstáculos e cursos d´ água , comunicações e exercício de comando de esquadras e grupos de combate. Na fase intermediária, são
realizados exercícios de comando nível pelotão, planejamento e execução
de transposição de curso d´água com pelotão, treino de assalto(diurno
e noturno) com munição festim/real, emboscada com munição festim/
real, operações ribeirinhas (ambiente aquático). Logo em seguida tem inicio
a fase avançada do curso com a realização de patrulha de combate,
noções de rastreamento, técnicas de ação imediata, reconhecimento em
força, patrulha de reconhecimento, Exercício Desafio Chindit . O momento
mais esperado do curso é o exercício final (Final Exercise- FINEX), onde
os militares são submetidos a uma patrulha de longo alcance e longa duração
com planejamento complexo, empregando integração de diferentes formas de infiltração e de difícil coordenação e controle.
A fase de desmobilização do curso merece uma atenção especial. Os ingleses tem uma atenção especial com a manutenção do moral da tropa elevado e procuram proporcionar as melhores condições de arejamento para seus militares e alunos dos cursos e adestramentos. Em Belize, por exemplo, havia um Centro de Aventuras (Adventure Center) com excelente infra estrutura para mergulho e canoagem, além de outras áreas usadas para práticas de rapel, montanhismo
e turismo arqueológico nas ruínas maias.Vista aérea do centro de laser de esportes aquáticos do BATSUB.

Uma das grandes preocupações do Comando do BATSUB era o fato de Belize estar dentro da rota dos furacões. Anualmente, no segundo semestre várias atividades só eram confirmadas após a consulta do boletim meteorológico.

Outros Treinamentos

Além do tradicional curso de operações na selva apresentado os ingleses
conduzem cursos multinacionais (República Tcheca, Noruega, Canadá,
Alemanha, Espanha, Holanda, Austrália, Irlanda, Kênia, Polônia, Indonésia,
Filipinas, Bangladesh, Reino Unido); treinamentos para forças de operações especiais em selva (SAS, SBS,...); adestramentos para Fuzileiros Navais; exercícios básicos de Infantaria; adestramentos para Engenharia de Construção; exercícios de Comunicações nível estratégico (Comando e Controle); treinamento de desminagem e destruição de engenhos falhados; exercício de sobrevivência, evasão, resistência e extração para tripulantes de aeronaves; e adestramento de mergulho e canoagem como infiltração/exfiltração no mar.
Apesar de estarem atualmente com foco nas operações em ambiente desértico e montanhoso do Afeganistão, o Exército britânico permanece sendo um dos maiores detentores da expertise de operações e treinamento na selva. Para isso, não mede esforços em manter bases de treinamento em outros continentes
que proporcionam cursos para seus quadros e oportunidade de adestramento
para frações constituídas. O país é reconhecido internacionalmente pela sua excepcional performance nas operações recentes em selva e projeta essa imagem durante seus cursos multinacionais.

domingo, 24 de dezembro de 2017

A melhor unidade de Forças Especiais do planeta, a verdadeira tropa de elite



Muitas pessoas nos perguntam: De todas unidades de comando e Forças Especiais do planeta qual parece ser a melhor?

Nacionalismos, patriotismos e bravados militares a parte, a resposta parece ser simples e nos leva ao passado da mais antiga unidade operacional da modernidade fundada a ferro, fogo e malandragem, durante a II guerra mundial.

Sim, o SAS parece ser a melhor unidade de Forças Especiais do planeta. E os motivos parecem ser bem racionais e nada sentimentais.

O treinamento sempre ajuda mas de nada adianta sem ser posto a prova em casos reais. O SAS desde o seu nascimento esteve envolvido em casos de guerra convenconal e guerra não convencional.

Vamos resumir: Serviço Aéreo Especial (Special Air Service) (SAS) é um regimento do Exército Britânico e parte das forças especiais do Reino Unido. O regimento foi criado pelo coronel David Stirling, em África, em 1941, no auge da Segunda Guerra Mundial. O seu papel principal era penetrar nas linhas inimigas e atacar os aeródromos e linhas de abastecimento, no meio do território inimigo, primeiro no Norte de África e, mais tarde, no Mediterrâneo e na Europa ocupada. Stirling estabeleceu o princípio de utilizar pequenos grupos, habitualmente de apenas quatro homens, para realizar ataques - Stirling apercebeu-se de que uma equipe de quatro homens podia, por vezes, ser mais eficaz do que um uma unidade de centenas de soldados.



1- Nascida da mente anticonvencional de um tenente rebelde, David Starling, o oficial que malandramente teve que lograr e enganar oficiais convencionais que queriam impedir que SAS fosse criada, o SAS atua desde a II guerra quando lutou contra nacionais socialistas (nazistas) e fascistas italianos. O ambiente operacional de nascimento do SAS foi o deserto mas se espalhou pelos bosques, cidades e montanhas da Europa.


2- O treinamento superior de guerra na selva do SAS e guerra anticonvencional (operacional desde os anos 50 neste ambiente) levou outros lugares a criar unidades similares que foram vencedoras apesar de serem pequenas como foi o caso do SAS australiano que teve como modelo o SAS do Reino Unido. O SAS australiano combateu na guerra do Vietnam e assustou os vietcongs pela sua sagacidade e poder de combate mesmo sendo uma unidade pouco numerosa.



3- O SAS do Reino Unido combate na selva desde os anos 50 lutando contra comunistas nas selvas da Malásia e Bornéu.



4-O SAS foi a primeira unidade a tentar entender e combater os terroristas do modo que conhecemos hoje. Soldados do SAS ajudaram militares de elite da Alemanha (GSG9) a libertar inocentes das garras de terroristas durante um resgate nos anos 70.


5- Poucos anos depois durante o resgate da embaixada do Iran em Londres o SAS deu uma aula em planejamento  e de como lidar com terroristas. O SAS pensava adiante do seu tempo em contraterrorismo e o profissionalismo dos seus soldados foi decisivo para pessoas inocentes escaparem com vida. Muito planejamento antes de atirar sem saber aonde.


6- Processo seletivo com finalidade sem futilidades sem fundamento. Marchas longas, com fardo, armamento e navegando em terreno montanhoso e com pouca visibilidade. Tudo isso seguido de treinamento em guerra na selva e Sobrevivência e Evasão.

Postamos sobre o SAS no passado. Para saber mais sobre os melhores, clique aqui. 


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

História e fatos desconhecidos das forças especiais


 
Embora muitas pessoas  pensem que unidades de elite tenham sempre sucesso (e muitas possuem um alto grau de sucesso quando operam), muitas vezes o nascimento destas unidades é sofrido e esnobado pelos militares convencionais que possuem uma mente limitada. O leigo em geral desconhece estes fatos desconhecidos das forças especiais que tentam manter tudo em sigilo.

Um soldado de força especial é completamente diferente de um militar convencionado embora inicialmente em geral deva passar por um tempo inicial como militar convencional.

Infelizmente um leigo possui o estranho costume de ao  ver uma foto de um militar bem equipado pensar que tal militar é de uma força especial. Isto nunca vai dizer de qual unidade ele pertence. Ele pode ser de uma unidade de infanta ria especilizada ou quem sabe pagando embuste (algo muito comum nas nossas forças armadas).

Ser um militar de força especial  vai além de ser um que faz cangurus, falar girias idiotas ou correr muito.  Um militar de força especial tem pouco a ver com uma hierarquia austera e cega.  E muito menos vai querer pagar embuste e ficar se exibindo a toda hora com uma tatuagem  na face como “sou da unidade de elite”.

Querem saber os motivos? Simples. Tais unidades devem agir e operar de modo secreto. Se a unidade aparece demais e mostra os seus treinamentos na TV ela pode ser boa mas passa longe de ser a elite da elite.  O mesmo vale para o militar. Quem muito quer aparecer por ego inflado, nunca vai ser de uma unidade especial.

Como disse um certo soldado do SAS uma vez: "somos o grupo de homens que chega no lugar sem ser notado, faz o que deve fazer e sai sem ser visto, sem fazer dramas ou querer aparecer. Debatermos os nossos problemas em segredo e voltamos a operar do mesmo jeito em outro lugar."

Agora vejamos uns fatos e história pouco conhecidos das forças especiais (nos referimos ao SAS e a Delta Force em especial). O SAS é a unidade base que moldou as forças especiais ao redor do planeta. Escrevemos sobre eles.  Fontes utilizadas: livros dos  falecidos criadores e soldados destas unidades.

1-Unidades como o SAS , Delta Force e Team 6 nao tem missoes reconhecidas pelos proprios governos. Na verdade os governos se negam a comentar sobre tais unidades.

2- O SAS quase nao foi criado durante a II guerra porque os militares convencionais nao entediam o objetivo da unidade  que era pequena e agressiva.  O criador do SAS sofreu boicotes e ataques de outros oficiais que achavam o SAS um bando de militares aventureiros malucos.

3-O criador do SAS nao era bem visto por militares convencionais porque era um oficial criativeo e rebelde e de certo modo, playboy. Ele teve que pular o muro de um prédio militar para entregar o documento que propunha a criaçao do SAS para um general que era um dos poucos a simpatizar com ele. O Reino Unido no momento estava perdendo a guerra para a Alemanha que possuia unidades de elite bem operacionais.

4-Muitos dos originais militares do SAS vieram de todas as outras unidades do exército britanico. Uns eram comandos que ficavam chateados pois muitas missoes dos comandos eram canceladas e as unidades dos comandos eram enormes. Outras vieram de unidades nada operacionais ou eram civis.

5-Um dos maiores guerreiros do SAS durante a II Guerra ao ser recrutado pelo SAS estava na cadeia por ter dado um soco em um oficial do exército britanico. Era jogador de rugby com um temperamento explosivo e detestava oficiais em geral.

6-Os primeiros treinamentos do SAS sofriam por falta de recursos. A base no deserto foi formada depois de soldados do SAS terem roubado equipamentos de militares da Nova Zelandia pois a Inglaterra nao tinha fornecido recursos.

7-O treinamento de paraquedismo foi improvisado pulando de jipes em movimento.

8- Uma regra base do SAS que dura até hoje: quando operando no campo , as operaçoes sempre sao planejadas pelos homens que estao operando e NUNCA pelos oficiais que se encontram longe da area de operacao.

9- Praticas militares como ordem unida e outras pompas militares nao sao bem vistas pelos soldados do SAS. Motivo? Nada operacionais e perda de tempo.

10- Em operacoes na selva e outros lugares, praticas militares muito comuns como fazer a barba, polir coturnos e outras coisas nunca sao feitas.  O SAS iniciou a operar na selva ainda nos anos 50 quando combatiam guerrilheiros comunistas com o apoio do povo local. A guerra na selva é uma especialidade deles também.


11- O criador norte-americano da Delta Force se inspirou totalmente no modelo do SAS para criar a Delta Force.

12-Do mesmo modo que o criador do SAS sofreu ataques dos militares convencionais ingleses, o criador da Delta Force sofreu ataques dos militares convencionais norte-americanos que nada entendia do conceito de forças especiais baseados no SAS. Os Estados Unidos ja possuiam os boinas verdes na época que a Delta Force foi criada e os boinas verdes eram orgulhosos. Porém, o treinamento na época era pouco realista e os soldados ainda eram pouco criativos se comparados com o SAS.

13-O cridador da Delta Force americana passou um tempo em treinamento com o SAS em virtude de um programa de intercambio entre o governo do Reino Unido e dos Estados Unidos. Ele ficou surpreso com o ambiente sem ordem unida, formaturas e o pouco respeito dos soldados com os os oficiais. O ambiente era completamente diferente dos boinas verdes.

14- Uma certa vez, ao ver dois soldados do SAS sentandos no solo bebendo cha e um pouco desleixados, o oficial norte-americano, acostumado ao modelo mais convencional dos boinas verdes, pediu aos soldados que fossem fazer algo e exigiu disciplina e foi ignorado pelos soldados do SAS.

15- Embora os soldados do SAS fossem diferentes dos norte-americanos no seu modo de agir,, quando operavam mostraram um alto grau de adestramento com um treinamento mais realista do que ficar correndo e pagando cangurus: navegar por terrenos com alto grau de dificuldade carregando fardo pesados, uso de municao real e outra técnicas que deixaram o futuro criador do Delta Force impressionado.

16- O SAS foi a primeira unidade a criar uma tropa anti-terrorista ainda nos anos 70 ajudando o GSG9 a salvar reféns na Alemanha.

17- Em 1980 o SAS salvou reféns no resgate da Embaixada do Iran. Tal acontecimento é modelo de como atuar com terroristas.

18- O SAS teve reconhecimento e era sempre louvado pela primeira-ministra Margareth Tatcher que sempre foi um fiel defensora do Regimento.

19- O SAS possui unidades similares como o SAS australiano e SAS neozelandes. Todos nasceram do conceito original do SAS.

 

sábado, 15 de abril de 2017

Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais, ESTUDE MAIS



Alguns meses atrás um vídeo nos foi indicado pelo Facebook. O vídeo em si se tratava dos comandos do Brasil fazendo treinamento antiterrorismo e um outro treinamento na selva. Ufanistas começaram a enaltecer os guerreiros da selva do Brasil como os imbatíveis neste ambiente. Os comandos que praticavam antiterrorismo na casa da morte (local aonde faziam o seu treinamento) também foram citados como os melhores do planeta. Muitos citavam que nossos militares eram inovadores neste tipo de treinamento.

Com todo respeito aos meus colegas guerreiros mas vamos aos fatos:

As forças especiais do Brasil foram moldadas no modelo norte-americano com um toque nacional dado pela Batalha de Guararapes. Mas praticamente todas as forças especiais modernas do mundo foram moldadas no SAS (Serviço Aéreo Especial) a mais antiga das forças especiais britânicas. Aqui nos referimos as técnicas mais atuais de combate.

Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais e forças especiais modernas, deixamos uma dica: procure estudar mais. Todo militar deveria saber como o SAS pensa e atua.

Antes do Brasil pensar em ter forças especiais as forças especiais britânicas e em especial o SAS operavam em ambientes de selva, antiterrorismo e guerra irregular. E tem muito leigo misturando o que é uma unidade de comandos com unidades de forças especiais. Ambas possuem missões distintas.

Fatos históricos abaixo:


1- O SAS foi criado em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, para combater nos desertos da África do Norte, por um tenente escocês chamado David Stirling. Oficiais de guerra convencional tentaram sabotar a nova unidade criada pelo tenente que recrutou ex-comandos britânicos. As unidades de comandos utilizavam muitos homens e tinham muitas missões canceladas. David Stirling teve a revolucionaria idéia de usar unidades bem menores infiltradas nos campos inimigos. Os soldados do SAS tinham um perfil bem atípico dos militares convencionais. O Brasil pouco sabia de forças especiais nesta época.


2- Depois da II Guerra, o Reino Unido começou a combater comunistas nas selvas do Bornéu e Malásia. O SAS inclusive tem uma boa parte do treinamento inicial na selva e já faz parte do processo seletivo. Este treinamento depois se torna mais especializado. Ou seja, em 1950 soldados do SAS já estavam atuando em missões reais na selva. O nosso excelente CIGS foi formado tempos depois.



3- O SAS que iniciou o estudo em missões antiterroristas e resgate de reféns em ambientes confinados. Nem o Brasil e nem os americanos tinham preparo para este tipo de operação na época. O nome que os comandos brasileiros deram para a sua casa de treinamento (casa da morte) vem DIRETAMENTE do SAS que chama o seu lugar de treinamento de killing house (casa da morte em língua inglesa). O SAS participou de muitas missões de resgate de reféns com o maior índice de sucesso até hoje entre muitas unidades de forças especiais.


5- Suas missões incluem nem sempre o perfil do tradicional militar. Soldados do SAS podem se vestir como civis e odeiam coisas com marchar, faxina e demais atividades com perdas de tempo.







6- Unidades como o SAS neozelandês e australiano (fotos acima) foram diretamente copiadas do modelo britânico. Estas unidades tiveram grande sucesso durante a guerra do Vietnã para quem desconhece o envolvimento deles considerando que eram bem menores que unidades norte-americanas.



7- A famosa Delta Force norte-americana foi criada por um militar norte-americano que passou pelo curso do SAS durante um treinamento no Reino Unido e notou que os boinas verdes deixavam a desejar na época. Os Estados Unidos tinham os boinas verdes como modelo naquele tempo. O comandante norte-americano mostrou humildade, aprendeu que o SAS tinha mais a ensinar e copiou o modelo britânico ao criar a Delta Force. Ele também sofreu represálias de militares que desconheciam a guerra convencional assim como de muitos boinas verdes que sabiam tudo na teoria mas nada na vida real e tinha uma certa rivalidade com a mentalidade nada convencional do SAS. Escreverei um texto sobre este tema.



8- O SAS anda operando em missões reais desde a II guerra por todo o planeta desde o seu nascimento em 1941 até hoje. Alguns dos lugares e missões divulgadas podem ser vistas abaixo (em língua inglesa):
Jebel Akhdar War
Indonesian Confrontation
Aden Emergency
  • "Keeni-Meeni Operations", 10 December 1963 – 1967, the search for Yemeni-trained assassins.[7]
Dhofar Rebellion
  • Operation Storm, 1970–1977, deployment of the SAS to support the Sultanate of Oman; operating under the auspices of a British Army Training Team (BATT). Included the well documented attack on the SAS outpost at Mirbat.[8]
Lufthansa Flight 181 
Iranian Embassy Siege
Falklands War
The Troubles
Persian Gulf War
Japanese embassy hostage crisis
Bosnian War
War in Afghanistan
Iraq War
Operation Enduring Freedom – Horn of Africa
Military intervention against the Islamic State of Iraq and the Levant
Libyan Civil War     

Ou seja: confiança é uma coisa mas sem soberba e arrogância. As forças especiais do Brasil ainda tem um longo caminho pela frente em certos aspectos. Muitas unidades hoje treinam juntas mas a base e o reconhecimento de uma raiz nascem com estudo. E muita vezes isso gera um enorme aprendizado. Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais e forças especiais modernas, informe-se pois eles operam em ambientes hostis desde a II guerra e tem muito a ensinar.