segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Erros e fiascos das unidades de elite e forças especiais mundo afora: lições que devem ser estudadas e aprendidas

As forças especiais são formadas por soldados profissionais que passam por um processo seletivo duro que, em teoria, seleciona os melhores soldados preparados fisicamente e mentalmente a participar deste tipo de unidade cujo foco sempre vai ser completar a missão levando em conta diversos fatores que possam afetar a batalhas para vencer a guerra.

 As missões das forças especiais vão além dos fatores tácticos e técnicos e objetivam, assim como levam em conta, fatores estratégicos e políticos. Quem pensa que somente ações diretas, típica de comandos, na base do grito, tiro e bomba devem ser consideradas ou treinadas, deveria estudar mais sobre inúmeras missões de forças especiais mundo afora.

 Por isso vale a pena estudar, pensar, avaliar e questionar, para tentar melhorar. Soldados de qualquer unidade são humanos e podem errar. As forças especiais atuam missões extremamente delicadas e complexas que passam longe da vida de um militar comum. Logo, maiores chances de erro e estes podem vir a ser fatais para o militar e nação a que serve.

  Este artigo tem como objetivo servir de estudo e analisar os erros cometidos de algumas missões SEM FALTAR AO RESPEITO E TRIPUDIAR. Depois de toda missão, em unidades como o SAS o debate é incentivado entre praças e oficiais (serve de alerta aos convencionais que nunca questionam a hierarquia) e o que aconteceu deve ser debatido e questionado de modo incisivo para vir a ser melhorado ou corrigido. Uma boa autocrítica faz parte de qualquer pessoa ou unidade que queira evoluir. A pergunta que deveria ser feita em todos estes casos: O que poderia ser mudado pare evitar falhas? O que aprender com os erros passados? Vamos ver alguns erros de unidades de elite abaixo:

  1-Spetsnaz A crise dos reféns no teatro Dubrovka foi a tomada do teatro lotado por 42 chechenos armados em 23 de outubro de 2002 e que envolveu 850 reféns e terminou com a morte de pelo menos 170 pessoas. Os terroristas, liderados por Movsar Barayev, reivindicaram lealdade ao movimento separatista islâmico na Chechênia. Eles exigiram a retirada das forças russas da Chechênia e o fim da Segunda Guerra Chechena. Devido à estrutura do teatro, as forças especiais teriam que lutar por 30 metros de corredor e atacar uma escada bem defendida antes que pudessem chegar ao salão em que os reféns eram mantidos. Os agressores possuíam vários explosivos, sendo que os mais poderosos estavam no centro do auditório. Após o assassinato de duas reféns em dois dias e meio, os grupos de elite da Spetsnaz do Serviço Federal de Segurança (SFS) Alpha e Vympel, apoiadas por uma unidade SOBR do Ministério de Assuntos Internos da Rússia (MVD), bombearam um agente químico não revelado sistema de ventilação do edifício e iniciou a operação de resgate. Todos os 40 insurgentes foram mortos MAS 204 reféns morreram durante o cerco, incluindo nove estrangeiros, devido ao envenenamento pelo gás usado pelas forças russas. Todos, exceto dois dos reféns que morreram durante o cerco, foram mortos pela substância tóxica bombeada para o teatro para subjugar os insurgentes. A identidade do gás nunca foi divulgada, embora se acredite que alguns tenham sido um derivado do fentanil, como o carfentanil.

2- Força delta/ Delta Force norte-americana A operação Eagle Claw foi uma operação militar norte-americana ordenada pelo presidente Jimmy Carter com o objetivo de tentar pôr fim à crise de reféns no Irã pelo resgate de 52 americanos mantidos em cativeiro na embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 24 de abril de 1980. O seu fracasso, e a humilhação pública que se seguiu, danificou o prestígio americano em todo o mundo e é considerado por muitos, incluindo o próprio Carter, como um dos motivos de sua derrota na eleição presidencial de 1980. A operação previa o envio de operadores da Força delta/ Delta Force norte-americana em um mínimo de seis helicópteros, mas oito foram enviados. Um teve problemas hidráulicos, outro sofreu uma avaria numa das pás e um terceiro não pôde navegar através de uma nuvem de areia muito fina (a haboob), o que obrigou um dos helicópteros a fazer um pouso forçado e os outros a voltar ao porta-aviões USS Nimitz (CVN-68). Durante o planejamento foi decidido que a missão seria abortada se restassem menos de 6 helicópteros, isto apesar de apenas quatro serem considerados absolutamente necessários. Numa opção que ainda hoje é discutida nos círculos militares, os comandantes pediram ao Presidente Carter permissão para abortar a missão e Carter acedeu ao pedido. Os militares da força Delta na verdade não tiveram culpa pela falha da missão ,pois o que ocorreu na verdade foi uma falha na logística e no transporte. 

3- SAS Talvez a missão Bravo Two Zero seja aquela que deixa muitos fatos duvidosos para quem quer polemizar. Diversos militares que participaram desta missão escreveram com relatos bem diferentes revelando o que passaram. A dificuldade existe pois a versão de cada autor contradiz o outro autor, que igualmente estevava participando. Para alguns ela foi fulminada de falhas de liderança e obtenção de inteligência que levaram a equipe a ser despejada precipitadamente ao longo do itinerário que poderia ter sido percorrido motorizado. Outros comentam sobre ser baseada em uma rota de abastecimento, quase no topo do objetivo, onde logo foram localizados. Ao contrário de outras patrulhas do SAS que operavam ao mesmo tempo no deserto, a patrulha B20 decidiu não levar veículos. Sem veículos, eles descobriram que nenhum de seus equipamentos de comunicação estava funcionando e as mochilas eram pesadas demais. Segundo uns autores, eles também haviam recebido o itinerário de fuga errado. Forçados a recuar a pé, os militares se separaram, morreram de hipotermia pois era mais frio que esperado, foram mortos ou capturados enquanto se dirigiam para a fronteira síria. As tentativas de resgate foram fatalmente atrasadas o que levou a alguns militares terem passado por tortura, uma outra coisa que muitos questionam pois os relatos não se complementam. 

4- SBS A fracassada missão de resgate britânica SBS Commando na Nigéria. Os reféns foram assassinados por seus captores quando comandos britânicos de elite do Special Boat Service (SBS) e o exército nigeriano tentaram resgatar Robert Robert Winnett e Thomas Harding em 2012. Franco Lamolinara, um italiano também foi morto. No entanto, isso não foi antes do esquadrão da SBS matar pelo menos dois dos terroristas durante o ataque à luz do dia em uma casa na cidade de Sokoto, no norte. O governo nigeriano da época informou que os dois supostos assassinos dos reféns haviam sido capturados. De acordo com fontes de segurança nigerianas, os reféns estavam sendo mantidos em Sokoto depois de serem regularmente movimentados entre casas seguras na região. Com a nova inteligência, um grupo SBS – o esquadrão ‘stand-by’ para contraterrorismo – foi enviado para a Nigéria, viajando em roupas civis a bordo de companhias aéreas comerciais. Armas, equipamentos de comunicação e outros equipamentos para cerca de 40 forças especiais do Reino Unido e Royal Marine Commandos foram enviados para o país em malas diplomáticas britânicas para a Embaixada em Lagos, onde a sede operacional foi instalada. Surpreendentemente, o governo britânico não informou a Itália sobre as operações de resgate planejadas. David Cameron autorizou a operação depois de ser informado de que o refém, cuja localização havia sido descoberta recentemente, corria o risco de ser transferido e assassinado. Isso seguiu as exigências dos sequestradores para que o governo nigeriano libertasse os prisioneiros. Chamadas de telefones celulares interceptadas sugeriram que uma mudança era iminente e o esquadrão SBS, que estava na Nigéria por até duas semanas, lançou um resgate de emergência em plena luz do dia. 

5-BOPE Em 12 de junho de 2000, Sandro Nascimento manteve 11 passageiros de um coletivo que fazia a linha 174 (Gávea-Central) reféns, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. Foram quase cinco horas de transmissão ao vivo pela TV e pelo rádio das ameaças feitas por Sandro Nascimento. Na ocasião, foi possível acompanhar a movimentação do bandido — que vestia bermuda, camiseta e tinha a cabeça coberta — pelo ônibus. Ele fazia ameaças e apontava a arma para a cabeça de reféns, mesmo estando cercado por dezenas de policiais, entre eles atiradores de elite do Batalhão de Operações Especiais (Bope), e de curiosos. Numa ação que motivou muito debate, um soldado do Bope atirou contra Sandro quando ele resolveu deixar o coletivo, fazendo a professora Geisa Firmo Gonçalves de escudo humano. Geisa foi atingida de raspão pela bala disparada pelo PM. Sandro reagiu e atirou contra a professora, que morreu. O sequestrador morreu asfixiado a caminho da delegacia. Três policiais se tornaram réus no processo da morte de Sandro e foram absolvidos.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Como o processo de seleção das melhores forças especiais do mundo se diferencia das demais forças especiais?

 


Existem alguns bons canais de conteúdo militar falando sobre o processo seletivo das melhores forças especiais do mundo em português com excelente iniciativa. Hoje iremos aprofundar aqui ainda mais o assunto que parece ser bem desconhecido para os interessados brasileiros.

Vale lembrar novamente:  bravados e gritos sobre vibração, pagar cangurus, falar gírias militares e todo aquela coisa que qualquer um pode fazer não dizem NADA sobre forças especiais. Na verdade o processo de seleção da melhor unidade de forças especiais do mundo se diferencia por ser exatamente o oposto disso.

Como isto funciona e o que isso a diferencia das outras unidades de forças especiais?  Vejamos abaixo:

  1. Processo seletivo aberto a qualquer militar de qualquer patente, classe social ou unidade com o mínimo de três anos de serviço ativo com comportamento razoável e requisitos de idade. Do paraquedista ao rancheiro e corneteiro. Qualquer um pode entrar desde que passe nos processo seletivo. Sargentos e cabos perdem a sua patente e viram soldados,  soldados permanecem soldados e podem galgar a patente de cabos e sargentos,  oficiais mantem a mesma patente. Oficiais passam por um processo seletivo mais exigente por motivos óbvios (devem ter moral para liderar pelo exemplo, comandar e tomar decisões de alto risco). Não existe a necessidade de se fazer concurso publico para ser um militar de carreira e depois ingressar nas forças especiais (passando no curso) como acontece aqui no Brasil aonde um soldado NUNCA vai ter a chance de servir nas unidades de forças especiais (comandos, paraquedistas, precursores, militares de selva, montanhas e outros não são forças especiais)
  2. Ser um paraquedista não é algo obrigatório, pois o militar que ainda não for paraquedista vai receber treinamento para tal função desde o treinamento básico paraquedista ao salto livre.
  3. Ser um militar de uma unidade de comandos não é algo obrigatório, pois o militar vai receber este treinamento embutido na formação de forças especiais,
  4.  O militar que atua realmente na missão e esta na “lida” (muitas vezes soldados, cabos  e sargentos)  é aquele que realmente toma  as decisões na hore de atuar no campo operacional e não um militar oficial burocrata distante do campo de operação. Por qual motivo? O militar no campo a) tem mais informações sobre o que esta acontecendo em tempo real; b) arrisca a sua vida e dos seus subalternos  para cumprir a missão.  
  5. Hierarquia é usada como forma de estabelecer/manter controle e cadeia de comando e não usar soldados com escravos.
  6. A seleção é chamada de rejeição na verdade pois rejeita-se a maior parte que não serve para a unidade.
  7. Impessoalidade. Muitas vezes sem gritos, sem tentar motivar o militar para estar no processo seletivo, sem vibração. Faz quem quer, de livre vontade e tem motivação para tal sem ninguém gritado ao lado. Metas devem ser atingidas. Não atingiu vai ser desligado e pode pedir desligamento a qualquer hora sem teatro e simbolismo como fazem os Us Navy Seals (tocar o sino).
  8. Relativamente processo seletivo direto ao ponto e consistindo de fases: 1) Pré -seleção para testar nível básico de preparo físico; 2) Testes de marchas forçadas aumentando a distancia gradualmente em terreno montanhoso  e que incluem navegação (grande foco nessa parte); 3) Fase de de guerra na selva; 4) Fase de sobrevivência e resistência a interrogatório. Somente depois disso o militar é qualificado como operador de forças especiais mas ainda pode ser desligado dentro do prazo de um ano. Ao longo da jornada fases de nivelamento operacional são feitas e militares que não possuem formação em determinada especialidade passam por instruções especificas. Nem todas tem ralação.
  9. Divisão de conhecimento onde um militar passa conhecimento ao companheiro em determinado tipo de assunto e vice- versa (Cross training)
  10. Comando decentralizado e criatividade/ inovação ao executar missões são consideradas. Iniciativa é bem vinda ao tomar decisões sem depender de militar comandante.
  11. Constante treinamento em diversas áreas como proteção de dignitários, reconhecimento, inteligência, contraterrorismo, etc, buscando manter-se atualizado sem jamais cair no erro de “sabemos tudo”.
  12. Preparo físico de responsabilidade do próprio militar que deve manter-se em forma por iniciativa própria. Se afetar a performance, corre o risco de ser desligado e mandado de volta a unidade original de onde veio.
Quem seriam os militares desta unidade extretamente experiente e operacional? Leia aqui. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Selous Scouts: A melhor unidade de forças especiais africana


 Os Selous Scouts foram um regimento de forças especiais do Exército da Rodésia (hoje  Zimbábue) que operou de 1973 até a reconstituição do país como Zimbábue em 1980. Nomeado após o explorador britânico Frederick Selous (1851-1917), seu lema era pamwe chete — a Frase Shona que significa "todos juntos", "apenas juntos" ou "encaminhar juntos". Foram uma das melhores unidades de forças especiais do seu tempo.

A missão principal dos guerreiros dos Selous Scouts era "a eliminação clandestina do terrorismo dentro e fora do país".

Os Selous Scouts empregaram guerra assimétrica contra seu inimigo, ações que variaram de bombardeio de casas particulares, abduções, ataques da mina M18 Claymore contra alvos militares, sabotagem de pontes e ferrovias (incluindo motores a vapor), assassinatos, intimidação, chantagem e extorsão, até o uso de carros-bomba na tentativa de assassinato de Joshua Nkomo.

O trabalho da inteligência - uma outra importante tarefa dos Selous Scouts, bem como dos ramos especiais em geral - era descobrir a identidade dos insurgentes, seus planos, seus locais de treinamento, as partes envolvidas em treiná-los, a origem e localização de seus rotas de abastecimento, seus simpatizantes e qualquer outra informação relevante como quem os financiava, etc. 

O regimento foi proposto por membros do ramo especial da Polícia Britânica da África do Sul, e muitos de seus primeiros recrutas eram policiais. A Infantaria Ligeira da Rodésia também foi uma força motriz por trás dos Escoteiros Selous pois eram de onde muitos militares eram recrutados.

Seleção e treinamento

Os Selous Scouts eram uma força de reconhecimento de combate, com a missão de se infiltrar na população tribal da Rodésia e nas redes de guerrilha, identificando grupos rebeldes e retransmitindo informações vitais para as forças convencionais designadas para realizar os ataques reais. Os membros do regimento foram treinados para operar em pequenas equipes clandestinas, disfarçadas, capazes de trabalhar independentemente no mato por várias semanas e de se fazer passar por rebeldes. Eram uma força voluntária aonde oficiais selecionavam militares negros e brancos e de todas hierarquias de maneira nada convencional. Em uma ocasião, 14 de 126 candidatos foram aprovados no processo de seleção.

O armamento utilizado era o armamento comum dos anos 70 de muitos: FN FAL, metralhadoras MAG mas os militares igualmente aprendiam a utilizar armas do bloco comunista. Como existe escrito em um antigo manual, com bom material humano (militar) faz-se um bom operador de forças especiais.



Como Reid-Daly, o criador desta unidade,  afirmou: "um soldado de força especial tem que ser um certo tipo muito especial de homem. Em seu perfil é necessário buscar inteligência, força e coragem, potencial, lealdade, dedicação, um profundo senso de profissionalismo, maturidade - a idade ideal é de 24 a 32 anos - responsabilidade e autodisciplina ... "A pessoa que os Selous Scouts procuravam era uma mistura entre o soldado que pode trabalhar em uma unidade e um solitário que pode pensar e agir de forma independente e individual".



O curso de seleção dos Selous Scouts se baseou no que Reid Daly (foto acima) passou como operador do SAS britânico, mas foi levado muito além disso. Nenhuma provisão era emitida para os primeiros cinco dias do curso. Os recrutas tinham que viver da terra. Então, no quinto dia, eles geralmente recebiam uma carcaça de babuíno que era deixada para apodrecer ao sol por três dias. Os recrutas tinham que preparar a carne podre e comê-la. Durante os 13 dias restantes, eles recebiam rações consistindo de apenas um sexto da ingestão diária normal de um homem. Os recrutas foram forçados a fazer do mato seu próprio habitat. Comer todos os tipos de animais e - em tempos de escassez de água - até beber a água do estômago de animais mortos. Mais tarde, em situações reais de combate, os escoteiros foram proibidos de atirar em animais para evitar de atrair o inimigo. 



Quando os voluntários de qualquer hierarquia  chegaram a Wafa Wafa, o campo de treinamento dos Selous Scouts, nas margens do Lago Kariba eles tinham uma amostra das dificuldades que teriam de enfrentar suportar.  Wafa Wafa, vindo da língua Shona significa basicamente - “QUEM MORRE MORRE, QUEM FICA PARA TRÁS FICA PARA TRÁS”. Ao chegar à base - que ficava a 25 quilômetros (16 milhas) de distância do ponto de chegada - eles viam apenas algumas cabanas de palha e as brasas enegrecidas de uma fogueira em extinção. Nenhum alimento era distribuído. O objetivo do treinamento neste ponto era reduzir o número de recrutas potenciais matando-os de fome, exaurindo-os e antagonizando-os. Durante a maioria dos cursos de seleção, 80 por cento dos recrutas desistiam depois de apenas dois dias.

O curso de seleção tinha duração total de 17 dias. Do amanhecer às 7 da manhã, os recrutas eram submetidos a um programa de condicionamento físico que visava esgota-los fisicamente e mentalmente. Depois de completarem isso, eles treinavam habilidades básicas de combate. Eles também eram obrigados a percorrer um curso difícil de assalto várias vezes durante o programa de treinamento. O curso foi planejado para superar o medo de altura. Quando a escuridão caia, eles começavam o treinamento noturno. No final do treinamento, eles tinham que realizar uma marcha de resistência de 100 quilômetros (62 milhas). Cada voluntário carregava 30 kg (66 libras) de pedras em suas mochilas. As rochas eram pintadas de vermelho, para garantir que não pudessem ser removidas e recolocadas no final.



A etapa final da marcha era uma marcha rápida e tinha que ser concluída em duas horas e meia. Para os que sobrevivessem hoje, havia uma semana de férias; eles eram então levados para um acampamento especial para a "fase obscura" de seu treinamento. Neste acampamento, eles aprendiam a agir e falar como o inimigo. A base era construída e estabelecida como um acampamento rebelde, e os instrutores os ensinavam a agir como os grupos inimigos. Nesta fase, os recrutas eram ensinados a romper com hábitos como fazer a barba, levantar-se em horários regulares, vestirem-se como civis e guerrilheiros, fumar e beber e adotar um estilo de vida de guerrilha. 

ESBOÇO DO CURRÍCULO DO CURSO

FASE UM

TREINAMENTO BÁSICO REGIMENTAL (SELOUS SCOUTS)

FASE DOIS

CURSO DE SELEÇÃO COM RECUPERAÇÃO - 3 SEMANAS

CURSO DE RASTREAMENTO E GUERRA  NO MATO ( BUSH WAR - 2 SEMANAS

FASE TRÊS / "FASE ESCURA"

TREINAMENTO PSEUDO-TERRORISTA - 2 SEMANAS

FASE QUATRO

CURSO DE TREINAMENTO DE PÁRA-QUEDAS (LINHA ESTÁTICA) - 3 SEMANAS

FASE CINCO / TREINAMENTO DE HABILIDADES AVANÇADAS

CURSO DE PÁRA-QUEDA (SALTO LIVRE) 

CURSO DE MERGULHO DE COMBATE 

O TEMPO TOTAL DESPERDIÇADO RAPIDAMENTE, PARA UM NOVO RECRUTA SEM EXPERIÊNCIA PRÉVIA, É OITO E MEIO MESES DE TREINAMENTO INTEGRAL PARA PRODUZIR UM NÍVEL BÁSICO DE ENTRADA SELOUS ESCOUT

Unidade controversa e irregular

Os Scouts diferiam do C Squadron 22 (Rhodesian) SAS, porque foi formado especificamente para participar de operações de rastreamento e infiltração, onde os soldados fingiam ser guerrilheiros - ou pseudo-operadores. Essas táticas foram usadas com muito sucesso na Revolta Mau Mau. Na verdade, o regimento também recrutou forças inimigas; guerrilheiros capturados foram oferecidos a escolha entre prisão, julgamento e possivelmente execução ou a capacidade de se juntar aos Scouts.

Este conceito foi inicialmente altamente controverso dentro do governo da Rodésia; a ideia de "transformar" guerrilheiros capturados em vez de puni-los era desagradável para alguns. No entanto, os defensores da "conversão", que tiveram sucesso na implementação de seus planos, retrataram essas operações como um aspecto da contra-insurgência semelhante ao uso de informantes pela aplicação da lei para penetrar e desmantelar organizações criminosas e subversivas.

A fim de manter o conhecimento de sua existência o mais restrito possível, guerrilheiros "reformados" eram pagos com fundos secretos do goveno que não prestavam contas aos auditores, e os voluntários da unidade não eram informados de sua função real até que realmente ingressassem em alguns casos, onde guerrilheiros capturados já haviam entrado no sistema judicial, os Selous Scouts fingiam sua fuga sem informar ao Departamento de Investigação Criminal. 

Para evitar que o exército regular ou a polícia disparem contra o regimento enquanto ele estiver operando, as autoridades declarariam "áreas restritas", onde todas as unidades convencionais do Exército e da Polícia recebiam ordens de cessar temporariamente todas as operações e retirar-se, sem serem informadas dos motivos reais.  Muitos comandantes sentiram que o início das "áreas restritas" cedeu o controle ao inimigo e reduziu a iniciativa das forças de segurança.

Em imagens antigas desta unidade podemos ver militares operando vestindo calções, algo comum em unidades africandas durente aquele tempo. 

Como podemoer ver, era uma unidade muito irregular e bem longe da imagem daqule militar convencional, barba feita, coturno brilhante e farda engomada. Foi uma das melhores unidades de forças especiais do seu tempo.

Os recrutas iniciavam a operar em patrulha com os Selous Scouts apenas uma semana após a conclusão de seu treinamento. Nos 7 anos de existência desta unidade de elite que operava em uma guerra real, apenas 15 por cento dos voluntários conseguiram passar da fase de seleção e foram agraciados com o título de operador dos Selous Scouts. 

A unidade teve sem fim quando a guerra acabou. A guerra terminou quando, a pedido da África do Sul (seu maior apoiador) e dos Estados Unidos, o governo do Zimbábue-Rodesiano cedeu o poder à Grã-Bretanha no Acordo de Lancaster House em dezembro de 1979. O governo do Reino Unido realizou outra eleição em 1980 para formar um novo governo. A eleição foi vencida pela ZANU.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Tipos de missões das forças especiais: O que fazem e como atuam as forças especiais

                           Seal norte-americano na selva do Vietnã. Notem a antiga camuflagem tigrada usada durante aquela guerra por esta unidade.

Certos relatos de colegas militares de forças especiais extremamente operacionais geraram este post: 

Um disse em  seu livro que  qualquer unidade militar poderia ocupar um local e atirar indiscriminadamente.

O outro disse que qualquer um pode apertar o gatilho no momento de atacar sem diferenciar o inimigo do inocente. O problema seria decidir o momento justo e de atirar somente no inimigo.

Duas frases, duas verdades.

Infelizmente, o público leigo ainda acha que tudo resolve-se no "grito, tiro e bomba" e que esse é o principal papel das forças especiais. Estas pessoas enxergam o combatente de forças especiais como um militar troglodita  que fala sempre em vibração, cita girias militares e que berra muito sobre pagar canguru e flexão. Outros acham que unidades especializadas como infantaria de selva e paraquedistas são unidades de forças especiais.

Na verdade, estas pessoas estão um tanto enganadas.

As  missões das forças especiais são bem mais complexas e por isso exigem militares inteligentes. Tais militares por serem mais bem treinados demandam um investimento maior por parte do governo incluindo o tempo e passando pela parte financeira. O treinamento consome a maior parte das reservas fincaneiras. E bem depois podemos falar sobre o equipamento. Os militares de  forças especiais devem decidir rapidamente sobre como atuar em ambientes complexos em diversos setores e muitas vezes com tempo limitado, inclusive levando em conta o que suas atitudes podem gerar no futuro para os nativos e ambiente ao seu redor. 

"Grito, tiro e bomba" existe sim mas nem sempre é o caso na maioria das vezes na maioria das missões. Militares de forças especiais treinam em selva, montanha, deserto e como paraquedistas para saberem operar nestes ambientes operacionais particulares e como paraquedistas como meio de transporte.

E particularidades envolvem as missões das forças especiais. Por isso poucos possuem o perfil de um operador destas unidades.

Primeiro, tais missões seguem uma cadeia de comando com objetivos bem definidos. E tudos isso segue uma doutrina militar que varia de nação para nação,o governante no poder, leis vigentes locais, etc. O que pode ser considerada uma missão de força espcial aqui pode não ser em outro lugar. Elas exigem planejamento detalhado constantemente atualizando os informes. Por isso muitas unidades de forças especiais trabalham juntos com serviços de inteligência.

Segundo, em grande parte do planeta, os militares das forças especiais decidem como operar no ambiente operacional. Devem ser persistentes mas inteligentes.. Os militares das forças especiais DEVEM tomar a iniciativa pois geralmente o comando das forças especiais se monstra DECENTRALIZADO. O SAS e Seals por exemplo permitem um grande grau de liberdade para que os seus militares (incluindo soldados e praças) decidam como cumprir as suas missões bem distantes dos generais longe do ambiente operacional. Isso existe frieza, capaciade de liderar, decidir e tomar a iniciativa levando muitos fatores em conta.

Mas quais são estas missões? Veja tudo explicado abaixo com alguns exemplos: 


-Reconhecimento: A misssão principal das forças especiais sempre foi obter dados de inteligência militar.  O reconhecimento  é realizado por pequenas unidades de militares altamente treinados, geralmente de unidades de forças especiais ou organizações de inteligência militar, que operam atrás das linhas inimigas, evitando o combate direto e a detecção pelo inimigo. Como uma função, o reconhecimento é diferente das operações de comando, mas ambas são freqüentemente realizadas pelas mesmas unidades. O papel do reconhecimento inclui obter informes sobre o inimigo bem atrás das linhas inimigas e geralamente sem ataca-lo diretamente e sim preparando um ataque. O reconhecimento especial inclui a direção oculta de ataques aéreos e de mísseis, em áreas bem atrás das linhas inimigas, colocação de sensores monitorados remotamente e preparações para outras forças especiais. Como outras forças especiais, as unidades de reconhecimento também podem realizar ações diretas e guerras não convencionais, incluindo operações de guerrilha. No direito internacional, a missão de reconhecimento não é considerada espionagem se os combatentes estiverem em uniformes adequados, independentemente da formação, de acordo com a Convenção de Haia de 1907, ou a Quarta Convenção de Genebra de 1949. No entanto, alguns países não honram essas proteções legais, como foi o caso da "Ordem de Comando" nazista da Segunda Guerra Mundial, considerada ilegal nos Julgamentos de Nuremberg.

Exemplos: O SAS e SBS atuaram como unidades de reconhecimento antes da guerra das Malvinas e o SAS atuou na operação Barras na Serra Leoa.


-Ação direta: Ação direta são operações militares como incursões, emboscadas, sabotagem ou ações semelhantes. Podem ser realizadas por unidades militares convencionais mais especializadas (fuzileiros, paraquedistas, infantarias de selva, infantaria leve e outros tipos de unidades similares), unidades de comandos ou forças especiais. Quanto mais precisa a operacao mais necessárias e presentes se fazem as unidades de forças especiais.

Exemplos: O SAS australiano (foto acima) realizou diveras emboscadas durate a guerra do Vietnã com um excelente aproveitamento.  

-Guerra não convencional/ guerra irregular: A guerra não convencional é o apoio de uma insurgência estrangeira ou movimento de resistência CONTRA seu governo ou uma potência ocupante. Enquanto a guerra convencional é usada para reduzir a capacidade militar do oponente diretamente por meio de ataques e manobras, a guerra não convencional é uma tentativa de alcançar a vitória indiretamente por meio de uma força substituta local com o apoio dos nativos. A  guerra não convenciona contrasta com a guerra convencional em que as forças são freqüentemente encobertas ou não bem definidas e depende fortemente de subversão e guerra de guerrilha. Sabotagem e propaganda podem ser ferramentas importantes neste tipo de guerra.

Exemplo: A recente euforia de alguns jornais estrangeiros minando o governo do Brasil sobre a Amazonia pode ser considerada um exemplo de propaganda aplicada a guerra irregular.



-Contra-insurgência: Alguns autores consideram contra-insurgência como o oposto da guerra irregular. e definida  como "esforços civis e militares (aonde entram as forças especiais e unidades convencionais)  abrangentes que APOIAM o seu governo para derrotar e conter a insurgência (guerrilheiros) simultaneamente e abordar suas causas  e raízes.

Exemplo: A melhor unidade de forças especiais africana, os Selous Scouts, operavam com maestria eliminindo terroristas vivendo no mesmo ambiente que eles.


-Contra-terrorismo: Diveros tipos de missões das forças especiais aqui ligadas com as missões acima mas podemos destacar: 



  • Caça a alvos de alto valor:
    Operações militares por forças de operações especiais e organizações de inteligência para procurar e capturar ou matar combatentes inimigos importantes, conhecidos como alvos de alto valor. Exemplo: a operação que elimininou bin laden



  • Resgate de reféns: Método de recuperação de pessoal usado para recuperar pessoal isolado normalmente sequestrado pelo inimigo/ terroristas. Exemplo: O resgate dos reféns realizado pelo SAS em Londres, na embaixada do Irã (Fotos acima)

-Operações clandestinas: (Black ops) Operação secreta ou clandestina  é uma operação realizada por uma agência governamental, uma unidade militar (normalmente forças especiais)  ou uma organização paramilitar; pode incluir atividades de empresas ou grupos privados. As principais características das operações clandestinas são que não podem ser atribuída à  qualquer organização que a executa.

Exemplo: Alguns jornalistas sugerem que militares russos estejam atuado na Siria. O governo russo nega.


-Proteção de dignatários (VIP): Proteção de autoridades, governantes e convidados do governo realizada de modo velado com o apoio de militares que demonstram uma atitude mais direta. Dependendo a doutrina militar do lugar pode ser realizada pelas forças especiais ou unidades especializadas deste tipo de atividade.

Exemplo: O presidente norte-americano e a realeza do Reino Unido foram protegidos por um tempo por membros das forças especiais.


-Defesa Interna Estrangeira (DIE):  Participação de agências civis e militares de um governo em qualquer um dos programas de ação realizados por outro governo ou outra organização designada para libertar e proteger sua sociedade da subversão, ilegalidade, insurgência, terrorismo e outras ameaças à sua segurança ”

O DIE é a espinha dorsal do que as Forças Especiais fazem junto com a Guerra Não Convencional. A chave para o FID é construir relacionamento com as forças da nação anfitriã. E ter o idioma e a formação cultural para entender, se adaptar, se comunicar bem, ajudar e prosperar com os locais é vital. As tropas das Forças Especiais dos Estados Unidos por exemplo recebem de 4 a 6 meses (mínimo) de treinamento em idiomas antes de irem para os grupos operacionais.

Em uma situação de combate ou missão DIE de tempo de guerra, as unidades lideram e às vezes criam uma nova unidade onde houver necessidade. As unidades são selecionadas, treinadas e lideradas por pessoal das forças especiais. A próxima fase é a unidade de forças especiais então aconselhar as unidades locais através de toda a sequência da missão e acompanhá-los em suas missões. E, uma vez que as forças locais sejam capazes de conduzir operações unilaterais sem assistência, a missão está completa.

Exemplo: O treinamento oferecido a militares africanos por norte-americanos.

À medida que o clima da guerra continua a mudar, as nuances da guerra tornam-se mais complexas. Grandes ataques de ação direta por forças especiais podem não ser uma opção realista sempre e forças amigas poderiam ser treinadas na fronteira para realizar a mesma missão mas as mesmas no futuro podem vir a se tornarem inimigas. Por outro lado, nenhuma unidade militar do planeta vence tudo sozinha e todo mundo precisa de aliados.

 A guerra é um jogo de xadrez e, às vezes, a jogada mais descarada não é a mais inteligente.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Assaltos em Santa Catarina: Quando os governantes e o povo abandonam a importância da segurança


Os excelentes precursores paraquedistas (acima), a primeira tropa de  forças especiais do Brasil, foi usada com sucesso para reconhecimento e incursões  no combate aos narcoterroristas em favelas. Mas outras medidas a longo prazo com o apoio de civis e locais precisam urgentemente ser tomadas.

Quando a pandemia iniciou e  as pessoas assustadas estocavam mantimentos desesperadamente  e lembro de ter visto um post na internet um norte-americado que vive no isolado Alasca postando: "Se você  for incapaz de defender o que possui, tudo o que você possui é meu".

Em resumo: sem uma sociedade com uma segurança pública organizada e pessoas incapazes de se defender, impera a lei do mais forte e este pode ser a vir um meliante.

Inicialmente, este blog tratou sempre sobre forças especiais e não falamos muito sobre a segurança pública dos estados do Brasil. Unidades especias e forças armadas foram usadas como unidades policiais no Brasil recentemente e isso inclusive aconteceu em outros lugares. Mas isso somente parece  não ser o bastante.

Os recentes acontecimentos no estado de Santa Catarina e eventos passados no RJ e SP deveriam instigar um debate nos brasileiros sobre o importante papel dos agentes de segurança, neste caso especialmente sobre a necessidade absoluta de policiais operacionais e gestores com um eficiente sisema de inteligência que saibam se aliar aos civis visando um trabalho a longo prazo combatendo o crime organizado, narcoterroristas e afins.

Aos leitores e leitoras: Estes tipos de crimes violentos NUNCA deveriam ser vistos como algo normal em qualquer estado brasileiro.

Vejo paulistanos e cariocas celebrando os assaltos em SC como formar de zombar dos outros estados ou arrotando uma soberba por viverem em estados violentos devido ao narcoterrorismo e por isso pensam serem mais fortes.Os mesmos paulistanos e cariocas nunca deveriam achar este tipo de crime normal. E favelas, bandidos, crime e pobreza NUNCA deveriam ser romantizados como lugares bom de se morar e exemplos de vida. 

Este tipo de mentalidade do POVO precisa mudar. ISTO NUNCA DEVERIA SER ASSIM e mostra o caos e os valores invertidos em que nos encontramos nos dias de hoje.

Os recentes assaltos em SC e outras cidades do Brasil mostram que os meliantes devem ser vistos e combatidos como o que são: meliantes. 

Acredito que esta situação desoladora seja fruto de governos negligentes com a segurança que deixaram o país de forma direta e indireta por anos nas mão dos chefes do narcoterrorismo, financiados por criminosos de colarinho branco. Provavelmente tendo alguns envolvidos com governantes. 

O povo infelizmente desconhece o trabalho importante das policiais e forças armadas e muitos as critciam sem se informar. Muitos inocentes acham que vivem em uma terra prometida e que tudo vai se ajeita ao andar das carroças sem planejamento. Negligenciam a vida que possuem muitas vezes pois "isso somente acontece com os outros" e para serem do contra, apoiam os criminosos.

Infelizmente, alguma minoria de policiais fazem parte de quadrilhas e jogam no lixo a honra de servir e proteger o povo. Outros limitam-se a pensar  INOCENTEMENTE que o trabalho dos policiais e militares limitam-se a incursões sem limites e não  consdieram ações de inteligência e nem tampouco o trabalho a longo prazo buscando o apoio dos locais.

Outros partidos como PT e PSOL usam e abusam de relavismo moral com o seu "tude deve ser permitido" e combatem o trabalho de bons policiais inclusive com professores militantes em univerisdades.

Tudo isso deve mudar urgentemente se o povo quiser viver em paz.

Lembremos: Em geral a policia está sucateada e de mãos amarradas pelo garantismo jurídico dos indicados por certos governantes. 50, 60 criminosos bem organizados e com armamento militar sitiando uma cidade importante de SC como aconteceu em SP e RJ mostra o descaso com que tratamos a nossa segurança e setores de inteligência, sendo isso administrado terrivelmente pelo Estado que por sua vez não anda sendo muito eficiente.

Filmagens abaixo: O pessoal brincando no chat da live numa situação dessas demonstra uma atitude vergonhosa.




 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Veteranos de guerra e militares respeitados mundo afora, menos no Brasil: vergonhoso.


Ontem foi celebrado o Dia do Armistício na Europa e que os americanos chamam de dia dos Veteranos de guerra.

Qual é a diferença entre o Dia da Memória e o Dia do Armistício?

O Dia do Armistício é em 11 de novembro e também é conhecido como Dia da Memória. Marca o dia do fim da Primeira Guerra Mundial, às 11h do 11º dia do 11º mês, em 1918. O Domingo da Lembrança também é marcado todos os anos, este cai no segundo domingo de novembro. Militares de todos os conflitos e a sociedade celebram respeitosamente estas datas vestido uma papoula nas suas roupas.

Sim , o dia da vitória na Segunda Guerra Mundial é celebrado pelo Exército Brasileiro no dia do Expedicionário, 5 de maio, mas quem mais comemora? E da FAB quem na sociedade lembra?  Nem o nosso presidente formado em academia militar e para-quedista fala algo. Nossos deputados, senadores, prefeitos e governadores? Calados. O povo em geral nem sabe que os militares brasileiros estiveram arriscando a vida pela nossa liberdade durante a II guerra mundial. Tem imbecil chamando hoje os bravos velhinhos de nazistas e fascistas quando eles estavam LUTANDO CONTRA ESTAS IDEOLOGIAS.

Muitos lugares comemoram e honram os seus guerreiros mortos ou os que sobreviveram com as cicatrizes da guerram nem sempre carregada nos corpo mas sim na mente.

Passou da hora do Brasil celebrar com respeito o Dia do Armistício e honrar quem no passado arriscou a vida pela nossa liberdade.


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Unidades de operações especiais de nível 1 e nível 2


Militares da Delta Force norte-americana (nível 1), unidade modelada no regime do SAS do Reino Unido. A Força Delta - criada por um comandante dos EUA que serviu com o SAS - recruta apenas os melhores dos melhores e joga de acordo com suas próprias regras de combate.

O caro leitor ou a leitora alguma vez ouviu falar de unidades de Operações Especiais nível 1 e nível 2?

Claro, isso segundo a doutrina militar norte-americana. Aos militares desavisados e leigos: cada nação tem a sua doutrinar militar que se origina na cultura e leis locais, nos seus governantes e militares que comandam as suas FAs. E nem todas copiam o modelo norte-americano. Os ingleses, por exemplo, possuem a sua doutrina assim como os russos.

O termo Tier 1 (Nível Um) nas Forças Armadas dos Estados Unidos  é freqüentemente entendido como a nata das unidades de elite.  É particularmente usado para descrever algumas Forças de Operações Especiais militares que atuam envolvidas em operações militares de alto nível e risco, como a  morte de Osama Bin Laden (Team 6) e do chefe do Estado Islamico (Delta Force). 

Nos Estados Unidos, as unidades Nível 1 são equipes fechadas compostas por convite. Eles estão sob o ultrassecreto Comando de Operações Especiais Conjuntas (JSOC), que está dentro do USSOCOM. Eles são os melhores dos melhores dos melhores. Freqüentemente, integram com equipes coordenadas e comandadas pela Divisão de Atividades Especiais da CIA em equipes chamadas Grupos de Operações Especiais, quando a negação política da missão é totalmente necessária (missões clandestinas).

Algo como se os FE do Brasil agissem em conjunto com unidades da ABIN.

Os operadores atribuídos às unidades de Nível 1 são o creme de la creme das forças de operações especiais; geralmente, a admissão em unidades de Nível 1 só é possível após o serviço em uma unidade de Nível 2 no modelo norte-americano. Por exemplo, para ser um DEVGRU (Seal team 6), deve-se também ser um Seal experiente, ao contrário das equipes SEAL regulares, cuja admissão não requer serviço militar prévio. Para quem desconhece, muitos SEALs regulares se alistam diretamente da vida civil. Como se um civil pudesse entrar diretamente no GRUMEC.

Por outro lado, na Delta Force, a maior parte da unidade vem dos boinas verdes ou US Rangers , mas não é um pré-requisito. Os membros da Delta Force podem vir de unidades tradicionais de infantaria e não infantaria desde que passem no duro processo seletivo e sejam militares experientes com pelo menos algum tempo em atividade. O mesmo acontece no SAS do Reino Unido. Para entrar no SAS usando um exemplo exagerado,o militar pode ter sido um cozinheiro ou militar burocrata com algum tempo na ativa. Mas desde que passe no complexo processo seletivo e tenha o treinamento standard que vai nivelar todos os militares desta unidade, o militar vai poder operar ao mesmo tempo que vai aprender mais na lida como militar e fazendo cursos quando tiver tempo livre.

O conjunto de habilidades que os candidatos de Nível 1 teriam devido ao serviço anterior em unidades de Nível 2 seriam habilidades de tiro impecáveis, habilidades de explosivos e conhecimento de táticas de estratégia militar, habilidades de patrulha  impecáveis, treinamento psicológico para resistir à tortura / interrogatório e treinado em táticas de evasão, como treinamento de sobrevivência, evasão, resistência e fuga (SERE).  etc. 

Mas isso pode ser diferente como podemos ver no SAS e Delta Force.

Em alguns pontos, também é possível que membros das unidades de Nível 2, como os do 75º Regimento de Rangers, Forças Especiais e 160º SOAR do Exército sejam controlados pelo JSOC quando implantados como parte das Forças-Tarefa JSOC, como a Força-Tarefa 121 e a Tarefa Força 145.

Existem apenas quatro SMUs Tier 1 reconhecidas nos Estados Unidos:

  • Força DELTA (1ª Delta Operacional das Forças Especiais) - Exército dos EUA
  • DEVGRU (Naval Special Warfare Development Group, Seal Team Six) - Marinha dos EUA
  • 24º Esquadrão de Táticas Especiais - Força Aérea dos EUA
  • Atividade de Apoio à Inteligência (ISA) - CIA

No Reino Unido a coisa muda um pouco....pois a doutrina muda.

O SAS e o SBS às vezes são chamados de unidades de SF de ' nível 1 ' porque são as unidades normalmente encarregadas de ação direta. 18 (UKSF) O Regimento de Sinais, o SRR (Regimento de Reconhecimento Especial) e o SFSG (Grupo de Apoio das Forças Especiais) são referidos como unidades de ' nível 2', pois geralmente desempenham um papel de apoio para as unidades de  nível 1. E na doutrina britânica nem sempre militares de unidades de nível 1 devem passar obrigatoriamente por unidades de nível 2 como acontece em geral nos Estados Unidos.

Os para-quedistas britânicos assim como os fuzileiros navais britânicos (embora tenham o termo comando) sempre foram considerados bons soldados não são considerados Forças Especiais. A unidade de Forças Especiais da Marinha do Reino Unido, que em geral seleciona seus militares dos fuzileiros navais, chama-se SBS.

A doutrina das unidades francesas parece ser similar as unidades norte-americanas. 

As Forças Armadas francesas têm muitas unidades de forças especiais à sua disposição, como o Comando Hubert, GIGN e outras forças de reação rápida de grande capacidade. Da mesma forma que nas forças armadas dos EUA, ele pode ser classificado em uma forma de níveis militares (Nível 1, Nível 2, Nível 3).

Se usar o termo Forças Especiais estritamente, significando que são operadores designados como Unidades de Missões Especiais (SMUs), então citamos o GIGN, a 1RPMIa e o Comando Hubert

A principal unidade de operações especiais dos militares franceses é a 1RPMIa (1er Regiment Parachutiste D'Infanterie de Marine), a unidade do Exército que realiza missões semelhantes às realizadas pelas principais Forças Especiais da OTAN designadas Tier 1 - como o Serviço Aéreo Especial Britânico (SAS ), Delta Force ou SEAL Team 6 (DevGru).

O GIGN (Groupe d'intervention de la Gendarmerie Nationale) é uma unidade policial muito respeitada na comunidade das Forças Especiais e cuida de coisas que designaríamos para os militares. No entanto, o GIGN também realiza operações para os militares e é um SMU designado.

Comando Hubert D’Actions Sous Marines (CHSM) são mergulhadores de combate como os SEALs e o SBS e são o SMU da Marinha.

Todas as Forças Especiais Militares francesas estão sob o Comando de Operações Especiais (COS), que foi implementado após a Tempestade no Deserto para combinar os esforços de Operações Especiais do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

O COS é como o Comando de Operações Especiais Conjuntas dos EUA - JSOC.

Mas e a Legião estrangeira Francesa?

Bem, esta honrosa e tradicional unidade que muitos brasileiros fazem parte nunca foi considerada uma unidade de forças especiais.

Comparar a Legião com unidades como SAS, DEVGRU ou Delta Force simplesmente não é possível. A Legião Estrangeira Francesa poderia ser mais semelhante a 101ª Divisão Aerotransportada norte-americana ( Similar a nossa brigada para-quedista) e algumas outras unidades militares “regulares”mais bem treinadas e com uma história um pouco melhor do que as unidades militares “comuns”.

A Legião tem sua própria unidade especial, o GCP (Groupement Commando Parachutiste), que é uma unidade com pessoal selecionado entre o 2ème REP, um já regimento de pára-quedistas de elite da Legião. 

Essa é uma das coisas mais básicas que fazem a especialidade desta unidade. Enquanto o resto do 2ème REP é composto por pára-quedistas convencionais, esses homens são “chuteurs operationels”. Eles abrem seu pára-quedas na altitude desejada para atingir o tipo de infiltração que os paraquedistas convencionais não são capazes (os paraquedistas convencionais usam uma linha estática para abrir seu paraquedista).

Embora não se qualifiquem como forças especiais, o GCP da Legião Estrangeira Francesa realiza missões do tipo comando, o que significa reconhecimento, marcação de alvos, incursões, resgate de reféns, extração ou destruição de alvos de alto valor, etc, que são bastante limitados no tempo e espaço, quando as operações das forças especiais podem durar meses e ser de natureza muito diferente. Eles parecem ser similares aos nossos comandos.

O 1º regimento de engenheiros estrangeiros tem uma unidade chamada Dinops que são mergulhadores de combate subaquáticos, em termos de habilidade eles são como o GCP que alguns consideram forças especiais enquanto outros os consideram comandos. Se você for membro do segundo regimento de engenheiros estrangeiros, pode tentar o treinamento GCM, que é um grupo novamente como o GCP. O GCM é composto de comandos de montanha que recrutam de todas as 27ª brigadas de montanha, que incluem principalmente unidades do exército francês.