domingo, 12 de novembro de 2017

História das Forças Especiais: Como a Força Delta norte-americana copiou o SAS britânico

Quando muitas pessoas falam de forças especiais muitos imaginam soldados norte-americanos musculosos e em especial os boinas verdes. 
Mas quem estudou um pouco sobre a história das forças especiais sabe sobre uma outra unidade mais secreta e muito mais operacional:  a Força Delta ou  1st Special Forces Operational Detachment - Delta (1st SFOD-D) na lingua inglesa.

A elite da elite dos Estados Unidos chama-se  Força Delta e tem uma origem bem peculiar.

Muitos desinformados, deslumbrados e desconhecedores das origens das Força Delta acreditam que tal unidade veio ao mundo pronta sem falhas e com uma doutrina baseda nos boinas verdes. Vamos ajudar as leitoras e leitores a aprender mais sobre o assunto.

No início da década de 60 e 70, surgiu a necessidade de que as Forças Armadas se preparassem para a ascensão do terrorismo global que se insurgia, principalmente por causa dos movimentos radicais islâmicos no Oriente Médio. Os anos 70 foram marcados por muitos ataques terroristas e nenhuma nação naquele momento (incluindo os Estados Unidos) tinha uma unidade especializada para combater o terrorismo.

Os boinas verdes norte-americanos haviam sido utilizados no Vietnã com um certo sucesso militar assim como os Navy Seals, Rangers e patrulhas de recohecimento de longo alcance mas nenhuma destas unidades tinha o preparo para o novo tipo de guerra que o mundo moderno conheceria em pouco tempo.

Os boinas verdes tinham um processo seletivo desgastante mas muito da sua doutrina era ainda bem convencional. Generais e outros oficiais, mesmo que longe do campo de batalha, ainda comandavam militares que operavam em ambientes muitas vezes diversos dos planejados pelos generais. Uma doutrina bem convencional com ordem-unida, treinamento físico convencional e forte respeito a hierarquia ainda imperava nos boinas verdes. Muitos oficiais militares convencionais ainda recebiam uma boina verde e o comando de unidade de boinas verdes sem nunca terem participado do processo seletivo das forças especiais ou operados em ambientes hostis.

Nesta época e em um processo que dura ainda em 2017, as Forças Armadas dos Estados Unidos e do Reino Unido tinham iniciado um sistema de troca de treinamento e num desses treinamentos, o futuro criador da Força Delta, o coronel Charles Beckwith foi enviado como "Oficial de Ligação" do Exército dos EUA como um intercâmbio, para participar da seleção e do treinamento no Special Air Service do Exército Britânico. 


 Coronel Charles Beckwith foi enviado como "Oficial de Ligação" do Exército dos EUA como um intercâmbio, para participar da seleção e do treinamento no Special Air Service do Exército Britânico. Um soldado nunca sabe tudo e deve procurar saber mais sempre.  .

Beckwith havia operado no Vietnã mas viu que tinha muito que aprender. A sua mentalidade convencional de oficial foi testadas muitas vezes aonde soldados do SAS mais experientes no campo de batalha desacatavam as suas ordens. Em uma viagem a selva o oficial norte-americano fez a barba enquanto os britânicos do SAS deixavam a barba crescer para evitar cortes infeccionados. Em outro evento Charles Beckwith ao ver dois soldados britânicos do SAS sentados no solo preparando chá pouco se importando com a presença do oficial norte-americano que os advertiu para mais uma vez ser ignorado pelos soldados do SAS.

Entretanto, Charles Beckwith ficou chocado com o profissionalismo e operacionalidade do SAS que na sua metodologia nada convencional criava soldados mais operacionais que os soldados norte-americanos. O treinamento do SAS tinha sempre uma finalidade. Oficiais perdiam o poder perante soldados mais experientes e no campo de batalha o militar mais experiente era quem comandava. Os oficiais deveriam passar pelo processo seletivo sem regalias por serem oficiais. Marchas longas carregando equipamentos e navegado por terrenos montanhosos eram o teste base  sem cangurus e outros exercícios sem finalidade nenhuma.



O SAS foi o modelo a ser copiado quando os norte-americanos decidiram criar a Delta Force.

A mentalidade do SAS provava que fatos e criatividade superavam a teoria fez com que o orgulho oficial norte-americano revisse os conceitos de Forças Especiais.

Após concluir o processo seletivo do SAS e conseguir a almejada boina bege e adquirir conhecimento necessário para treinar e capacitar soldados para a nova necessidade que surgia, Charles Beckwith voltou para os EUA e sugeriu que uma unidade nos modelos do SAS britânico fosse criada. 
A Australia, Nova Zelandia e Africa do Sul andavam pelo mesmo caminho.

Charles Beckwith encontrou muita dificuldade no caminho. Os militares convencionais dos Estados Unidos ainda comandavam os boinas verdes e a mente fechada os impedia de ver os fatos. Charles demonstrou para os altos escalões das forças armadas norte-americanas a vulnerabilidade e a falta que fazia de uma unidade militar similar a SAS mas foi boicotado e ignorado por anos. A história se repetia e parecia semelhante quando o oficial David Stirling, criador do SAS durante a II guerra, sofreu dificuldades e boicotes por parte de generais e oficiais ao tentar criar o SAS.

Felizmente e depois de muitos anos, Charles Beckwith foi chamado para criar uma unidade semelhante ao SAS nos Estados Unidos. O processo seletivo para a Delta Force foi modelado no SAS totalmente.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Saiba mais sobre o Special Boat Service (SBS), os Navy Seals do Reino Unido



Você provavelmente já ouviu falar sobre o SAS, a unidade de forças especiais mais renomadas dos militares britânicos que se tornou famosa em maio de 1980 como resultado de seu envolvimento heróico no cerco da embaixada iraniana (assista um filme no cinema sobre eles. Leiam mais aqui) .

Mas o que você sabe sobre o SBS? O ramo das forças especiais da Marinha é igualmente qualificado e igualmente secreto sobre suas operações. O SBS possui como equivalente  os US Navy Seals (EUA), Shayetet 13 (Israel) e o GRUMEC (Brasil).

O SBS, ou o Special Boat Service (Serviço de Bote Especial no nosso idioma), principalmente recrutas dos Royal Marines commandos, uma parte dos militares já considerado uma força de elite. O SAS aceita militares de todas as unidades e setores, do Royal Marine Commando ao cozinheiro, MAS desde que passe no longo processo seletivo e atue como boa conduta por ano depois de receber a boina cor de areia (processo sem formaturas e pompas).

O SAS faz deste modo para manter a humildade do militar. Aceita militares de todos as unidades pois o diferencial do soldado que combate a guerra irregular é a criatividade e pensar diferente dos demais.

Apesar de sua natureza secreta, o SBS assimo como o SAS, começou durante a Segunda Guerra Mundial como uma unidade especializada do Exército treinada para realizar operações anfíbias difíceis. Os Navy Seals, Comanf e Grumec nem existiam ainda naquele tempo.

O principal papel do SBS é reunir informações sobre objetivos, determinar a direção do fogo da artilharia naval e operar como uma unidade de combate ao terrorismo marítimo.

No nascimento da unidade, os homens trabalhariam em pares, remando a terra em pequenos botes lançados a partir de submarinos para sabotar as linhas de trilho e comunicação inimigas.

Eles também plantariam minas em navios inimigos, usando a habilidade de trabalharem disfarçados e utilizar o elemento de surpresa como meio de fazê-lo.

O SBS ainda desempenha um papel ativo, embora muito secreto, nas operações militares; Eles serviram recentemente no Afeganistão e no Iraque.



Enquanto em solo afegão, os relatórios sugeriram de uma invasão da SBS aonde eles resgataram dois soldados italianos capturados pelos talibãs.

Infelizmente, em 2012, a SBS falhou em sua operação para resgatar o refém britânico Christopher McManus e seu colega italiano quando foram levados como captores na Nigéria.

Infelizmente, ambos os homens foram mortos pelos homens armados que os mantiveram.

Rivalidade
Não surpreendentemente considerando que ambas as organizações acreditam ser as forças militares de elite do mundo, existe uma rivalidade de longa data entre o SAS e o SBS.

Mas não há duvidas de que o Serviço de Barco Especial tenha que passar por um dos processos de seleção mais difíceis do planeta.

Começando com quatro semanas de testes de resistência, isso é projetado para "eliminar" qualquer pessoa sem o nível de aptidão necessário.

O teste de resistência termina em uma marcha de 40 km para ser concluída em menos de 20 horas, enquanto carrega bergens  (mochilas) pesados.

Eles também serão submetidos a treinamento da selva, que é projetado para empurrar os recrutas para os limites de sua resistência, pois eles são forçados a navegar, patrulhar e sobreviver nas densas selvas de Belize.

Provavelmente, o elemento mais difícil do processo é o curso de sobrevivência de combate de quatro semanas.

Aqui, as tropas serão ensinadas sobre técnicas de fuga e evasão antes de embarcar em exercícios onde foram "capturados" pelas tropas inimigas e submetidos a interrogatórios intensos.

Aqui, eles serão privados de comida, água e sono, colocados em posições de estresse e submetidos a explosões intermitentes de ruído, após o que serão interrogados.

Além de fornecer seu nome, data de nascimento, número de série e classificação, eles só podem responder perguntas com a resposta "Não posso responder a essa pergunta".

O estágio final de treinamento é o Curso de Treinamento em Canoas, que se concentra nas habilidades específicas do SBS, principalmente demolições subaquáticas, reconhecimento de praia e técnicas de levantamento.

O meio primário que o SBS usa para realizar suas operações secretas continua a ser a canoa.

Este pequeno barco oferece o meio perfeito para deslizar silenciosamente através da água, invisível e inaudito pelo inimigo desavisado.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dica de cinema do melhor filme do ano sobre Forças Especiais: 6 dias



Leitoras, leitores e amantes de cinema que gostam de filme sobre Forças Especiais e história: O filme 6 dias (6 days em Inglês) chega nas telas dos cinemas no exterior e esperamos que assim seja no Brasil.

O filme relata como a melhor tropa de elite do planeta (o SAS, Forças Especiais do Reino Unido) resgatou inocentes de terroristas nos anos 80 durante o regate da Embaixada do Iran em Londres.

Aprenda mais o SAS neste post AQUI.

O SAS atua desde a II guerra mundial em diversos conflitos pelo mundo. Da selva ao deserto e ambientes urbanos. De emboscadas, incursões, resgates ou coletando informação e fazendo vigilancia, o SAS opera de modo amplo e pensando muito mais que a mente limitada de um militar convencional mais preocupado em formaturas e embustes.

O SAS durante este resgate obedecia ordens diretas da primeira ministra do Reino Unido daquele tempo, Margaret Thatcher, que era uma grande defensora das Forças Especiais do. Reino Unido

Para quem se diz estudioso das  Forças Especiais e acha incorretamente que tudo se resume a grito, tiro e bomba aconselhamos a estudar mais e rever este conceito.

Um diretor de cinema e amante de história da Forças Especiais resumiu bem: "um filme que retrata o resgate de inocentes pelo SAS. Um tempo que terroristas eram tratados como terroristas e preparo, planejamento e operacionalidade mostraram que sempre geram resultado".

Traile do filme abaixo:


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

História e fatos desconhecidos das forças especiais


 
Embora muitas pessoas  pensem que unidades de elite tenham sempre sucesso (e muitas possuem um alto grau de sucesso quando operam), muitas vezes o nascimento destas unidades é sofrido e esnobado pelos militares convencionais que possuem uma mente limitada. O leigo em geral desconhece estes fatos desconhecidos das forças especiais que tentam manter tudo em sigilo.

Um soldado de força especial é completamente diferente de um militar convencionado embora inicialmente em geral deva passar por um tempo inicial como militar convencional.

Infelizmente um leigo possui o estranho costume de ao  ver uma foto de um militar bem equipado pensar que tal militar é de uma força especial. Isto nunca vai dizer de qual unidade ele pertence. Ele pode ser de uma unidade de infanta ria especilizada ou quem sabe pagando embuste (algo muito comum nas nossas forças armadas).

Ser um militar de força especial  vai além de ser um que faz cangurus, falar girias idiotas ou correr muito.  Um militar de força especial tem pouco a ver com uma hierarquia austera e cega.  E muito menos vai querer pagar embuste e ficar se exibindo a toda hora com uma tatuagem  na face como “sou da unidade de elite”.

Querem saber os motivos? Simples. Tais unidades devem agir e operar de modo secreto. Se a unidade aparece demais e mostra os seus treinamentos na TV ela pode ser boa mas passa longe de ser a elite da elite.  O mesmo vale para o militar. Quem muito quer aparecer por ego inflado, nunca vai ser de uma unidade especial.

Como disse um certo soldado do SAS uma vez: "somos o grupo de homens que chega no lugar sem ser notado, faz o que deve fazer e sai sem ser visto, sem fazer dramas ou querer aparecer. Debatermos os nossos problemas em segredo e voltamos a operar do mesmo jeito em outro lugar."

Agora vejamos uns fatos e história pouco conhecidos das forças especiais (nos referimos ao SAS e a Delta Force em especial). O SAS é a unidade base que moldou as forças especiais ao redor do planeta. Escrevemos sobre eles.  Fontes utilizadas: livros dos  falecidos criadores e soldados destas unidades.

1-Unidades como o SAS , Delta Force e Team 6 nao tem missoes reconhecidas pelos proprios governos. Na verdade os governos se negam a comentar sobre tais unidades.

2- O SAS quase nao foi criado durante a II guerra porque os militares convencionais nao entediam o objetivo da unidade  que era pequena e agressiva.  O criador do SAS sofreu boicotes e ataques de outros oficiais que achavam o SAS um bando de militares aventureiros malucos.

3-O criador do SAS nao era bem visto por militares convencionais porque era um oficial criativeo e rebelde e de certo modo, playboy. Ele teve que pular o muro de um prédio militar para entregar o documento que propunha a criaçao do SAS para um general que era um dos poucos a simpatizar com ele. O Reino Unido no momento estava perdendo a guerra para a Alemanha que possuia unidades de elite bem operacionais.

4-Muitos dos originais militares do SAS vieram de todas as outras unidades do exército britanico. Uns eram comandos que ficavam chateados pois muitas missoes dos comandos eram canceladas e as unidades dos comandos eram enormes. Outras vieram de unidades nada operacionais ou eram civis.

5-Um dos maiores guerreiros do SAS durante a II Guerra ao ser recrutado pelo SAS estava na cadeia por ter dado um soco em um oficial do exército britanico. Era jogador de rugby com um temperamento explosivo e detestava oficiais em geral.

6-Os primeiros treinamentos do SAS sofriam por falta de recursos. A base no deserto foi formada depois de soldados do SAS terem roubado equipamentos de militares da Nova Zelandia pois a Inglaterra nao tinha fornecido recursos.

7-O treinamento de paraquedismo foi improvisado pulando de jipes em movimento.

8- Uma regra base do SAS que dura até hoje: quando operando no campo , as operaçoes sempre sao planejadas pelos homens que estao operando e NUNCA pelos oficiais que se encontram longe da area de operacao.

9- Praticas militares como ordem unida e outras pompas militares nao sao bem vistas pelos soldados do SAS. Motivo? Nada operacionais e perda de tempo.

10- Em operacoes na selva e outros lugares, praticas militares muito comuns como fazer a barba, polir coturnos e outras coisas nunca sao feitas.  O SAS iniciou a operar na selva ainda nos anos 50 quando combatiam guerrilheiros comunistas com o apoio do povo local. A guerra na selva é uma especialidade deles também.


11- O criador norte-americano da Delta Force se inspirou totalmente no modelo do SAS para criar a Delta Force.

12-Do mesmo modo que o criador do SAS sofreu ataques dos militares convencionais ingleses, o criador da Delta Force sofreu ataques dos militares convencionais norte-americanos que nada entendia do conceito de forças especiais baseados no SAS. Os Estados Unidos ja possuiam os boinas verdes na época que a Delta Force foi criada e os boinas verdes eram orgulhosos. Porém, o treinamento na época era pouco realista e os soldados ainda eram pouco criativos se comparados com o SAS.

13-O cridador da Delta Force americana passou um tempo em treinamento com o SAS em virtude de um programa de intercambio entre o governo do Reino Unido e dos Estados Unidos. Ele ficou surpreso com o ambiente sem ordem unida, formaturas e o pouco respeito dos soldados com os os oficiais. O ambiente era completamente diferente dos boinas verdes.

14- Uma certa vez, ao ver dois soldados do SAS sentandos no solo bebendo cha e um pouco desleixados, o oficial norte-americano, acostumado ao modelo mais convencional dos boinas verdes, pediu aos soldados que fossem fazer algo e exigiu disciplina e foi ignorado pelos soldados do SAS.

15- Embora os soldados do SAS fossem diferentes dos norte-americanos no seu modo de agir,, quando operavam mostraram um alto grau de adestramento com um treinamento mais realista do que ficar correndo e pagando cangurus: navegar por terrenos com alto grau de dificuldade carregando fardo pesados, uso de municao real e outra técnicas que deixaram o futuro criador do Delta Force impressionado.

16- O SAS foi a primeira unidade a criar uma tropa anti-terrorista ainda nos anos 70 ajudando o GSG9 a salvar reféns na Alemanha.

17- Em 1980 o SAS salvou reféns no resgate da Embaixada do Iran. Tal acontecimento é modelo de como atuar com terroristas.

18- O SAS teve reconhecimento e era sempre louvado pela primeira-ministra Margareth Tatcher que sempre foi um fiel defensora do Regimento.

19- O SAS possui unidades similares como o SAS australiano e SAS neozelandes. Todos nasceram do conceito original do SAS.

 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Por qual motivo tantos brasileiros se alistam na Legião Estrangeira Francesa ao invés de se alistarem nas forças armadas brasileiras?



Escrevemos sobre unidades militares de elite do Brasil mas sem fanatismo ou embuste também falamos de unidades de elite estrangeiras. O nosso artigo sobre o SAS é bem interessante e é sobre a mais antiga e mais experiente de todas forças especiais. Leiam o artigo aqui.

E falando de unidades militares estrangeiras, nada mais natural que falar da Legião Estrangeira Francesa. E fica a pergunta: Por qual motivo tantos brasileiros se alistam na Legião Estrangeira Francesa ao invés de se alistarem nas forças armadas brasileiras? Tentarei responder isso mais tarde.

A Legião Estrangeira Francesa é uma unidade militar da França, criada no século XIX. É a mais famosa legião estrangeira ainda em operação no mundo embora a Espanha também possua uma unidade similar mas menos popular e operacional, a Legião Estrangeira Espanhola. Considerada um corpo de elite do Exército da França, a Legião é composta por homens estrangeiros, com idades entre 17 e 40 anos, que assinam um contrato de 10 meses de duração para combaterem em nome da França. Os salários variam entre R$ 3.145 e mais de R$ 11 mil mensais convertendo para o real (MAS LEMBRE-SE, pessoas sem experiência em viagens, na França AS PESSOAS GANHAM EM EURO MAS GASTAM IGUALMENTE EM EURO) dependendo das qualificações que possui e se está participando de uma operação no exterior.


Na foto, 12 brasileiros, integrantes da 2ª e da 3ª companhias do 2º Regimento Estrangeiro de Paraquedistas, na base de Tessalit, montada durante a Operação Serval  (Foto: Diego Gonzales/Arquivo Pessoal)

A Legião é considerada uma tropa de elite basicamente formada por unidades de infantaria pronto-emprego com outras unidades de apoio.  A Legião não é uma unidade de forças especiais da França. Outras unidades francesas fazem o trabalho de forças especiais.

O processo seletivo é feito unicamente no quartel do 1º Regimento Estrangeiro em Aubagne, cidade a cerca de vinte quilômetros de Marselha, no sul da França.

Alternativamente, informações podem ser obtidas em um Posto de Informações da Legião Estrangeira (PILE), disponíveis nas cidades francesas de Aubagne, Bordeaux, Lille, Lyon, Marseille, Metz, Nantes, Nice, Paris, Perpignan, Reims, Rouen, Strasbourg e Toulouse.
A seleção ocorre unicamente em solo francês "hexagonal", os voluntários não podem se alistar na Guiana Francesa.
Para participar do mesmo é necessário:
  • ser do sexo masculino (podem chorar, feministas);
  • ter entre dezessete e quarenta anos;
  • portar um documento de identidade válido internacionalmente, ou seja, um passaporte válido;
  • Não precisa ser solteiro pra se alistar;
  • Não é obrigatório falar o francês, pois aprenderá durante o ofício.
O treinamento básico é conduzido pelo 4º Regimento da Legião Estrangeira e tem uma duração de 15 semanas:
  • Treinamento inicial de 4 semanas — iniciação ao estilo de vida militar; atividades de campo; aprendizado das tradições da Legião Estrangeira;
  • Marcha do "quépi branco" e cerimonia de graduação — 1 semana;
  • Treino técnico e prático, alternando entre quartel e campo — 3 semanas;
  • Treino em montanha (chalé Formiguère na região dos Pirenéus franceses) — 1 semana;
  • Novo treino técnico e prático, alternando entre quartel e campo — 2 semanas;
  • Exames e obtenção do certificado técnico elementar — 1 semana;
  • Marcha do final do treinamento básico — 1 semana;
  • Escola de veículos pesados e caminhões — 1 semana;
  • Retorno a Aubagne antes da partida para o regimento onde irá servir — 1 semana.
A Legião atuou praticamente em quase toda as guerras aonde a França se envolveu desde o
século XIX. Antigamente, muitos criminosos se alistavam na Legião fugindo da justiça e muitos tinha certeza que as missões da Legião eram o caminho certo para a morte mas a preferiam do ir para a cadeia. Hoje muita coisa mudou e o processo seletivo é bem mais refinado assim como o treinamento militar.

A Legião Estrangeira Francesa também possui unidades paraquedistas e de guerra na selva. E muitos brasileiros fazem parte delas. O Brasil possui uma razoável quantidade de militares na
Legião.

Quer se alistar na Legião? Prepare-se fisicamente e intelectualmente. Tudo tem um preço é um prazo a ser cumprido. Não se aventure, pois não há espaço para amadores ainda mais em um lugar com pessoas de todo mundo. 

Site oficial da  Legião Estrangeira Francesa em português: http://pt.legion-recrute.com/http://pt.legion-recrute.com/




E a pergunta: Por qual motivo tantos brasileiros se alistam na Legião Estrangeira Francesa ao invés de se alistarem nas forças armadas brasileiras?

Deixo os legionários com a resposta: 

".....Após trabalhar por dois anos na cozinha da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Espcex), em Campinas (SP), o soldado Pascoal (nome ficíticio), de 23 anos, ingressou na Legião também buscando viver experiências reais de combate...."

Com especialização de Comandos no Brasil, o curso que prepara tropas especializadas para as mais diversas situações, e tendo atuado em Goiânia (GO) na Brigada de Operações Especiais, a tropa de elite do Brasil, Irineu pertence à 2ª Companhia do 2º Regimento Estrangeiro de Paraquedistas e chegou a Tombuctu de paraquedas, realizando um salto em alta altitude, sem que as pessoas em terra consigam ver a aeronave, e chegando ao combate em meio ao território inimigo.

".............Tomamos a cidade em mais de 15 horas de combate após chegar a terra. E o melhor é que chegamos saltando. Um salto operacional não tem preço, é o sonho de todo combatente. Nos preparamos a vida inteira para isso”, diz Irineu, que está na Legião há 6 anos......................"

1-Nas reportagens que leio noto legionários que  não foram aceito pelas forças armadas do Brasil por algum motivo, pessoas que foram aceitas mas viraram lavadores de pratos, cortadores de grama ou outros serviços braçais sem nada aprender como militares ou ex-militares operacionais que queriam mais do que o as Forças Armadas do Brasil ofereciam. Sei de excelente soldados que tinham tudo para serem forças especiais mas a arcaica mentalidade das nossas forças armadas quase destruiu seus sonhos. Estas pessoas foram para os Estados Unidos e realizaram o sonho de ser um militar operacional.

2-Infelizmente, o Brasil possui um processo seletivo muito travado para um militar se tornar um comando ou força especial desde a parte burocrática até a parte logística. Um recruta raramente vai ter contato com um comando ou forças especiais.

3-Saliento que o SAS, que considero a melhor unidade de forças especiais do planeta tem um processo seletivo relativamente simples se comparado ao Brasil e militares de qualquer arma ou serviço tem a mesma chance de passar na seleção.  Não existem pré- requisitos como ser paraquedista, comando ou isso ou aquilo. Depois de passar a rígida e funcional seleção e uma processo de  formação o militar é colocado em operações reais ao mesmo tempo que faz cursos de aperfeiçoamento.

4-Imaginem a dificuldade que é ir para a França (hoje bem menos que antigamente), aprender um novo idioma (felizmente o francês é uma língua latina como o português) e um modelo de operar de uma outra cultura? Estes militares poderiam muito bem ser aproveitados no Brasil mas o nosso sistema é antiquado, fazendo com que muitos militares sejam mais concurseiros que militares operacionais.

5- Para finalizar, em grande parte do planeta, militares são respeitados pelo povo por proteger a população e defenderem os interesses da nação. No Brasil infelizmente existe jornalista que defende ditaduras comunistas e gosta de colocar o povo contra os militares sempre levantando o fantasma do regime militar que é passado.

Todo respeito aos bravos soldados da Legião.


sábado, 15 de abril de 2017

Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais, ESTUDE MAIS



Alguns meses atrás um vídeo nos foi indicado pelo Facebook. O vídeo em si se tratava dos comandos do Brasil fazendo treinamento antiterrorismo e um outro treinamento na selva. Ufanistas começaram a enaltecer os guerreiros da selva do Brasil como os imbatíveis neste ambiente. Os comandos que praticavam antiterrorismo na casa da morte (local aonde faziam o seu treinamento) também foram citados como os melhores do planeta. Muitos citavam que nossos militares eram inovadores neste tipo de treinamento.

Com todo respeito aos meus colegas guerreiros mas vamos aos fatos:

As forças especiais do Brasil foram moldadas no modelo norte-americano com um toque nacional dado pela Batalha de Guararapes. Mas praticamente todas as forças especiais modernas do mundo foram moldadas no SAS (Serviço Aéreo Especial) a mais antiga das forças especiais britânicas. Aqui nos referimos as técnicas mais atuais de combate.

Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais e forças especiais modernas, deixamos uma dica: procure estudar mais. Todo militar deveria saber como o SAS pensa e atua.

Antes do Brasil pensar em ter forças especiais as forças especiais britânicas e em especial o SAS operavam em ambientes de selva, antiterrorismo e guerra irregular. E tem muito leigo misturando o que é uma unidade de comandos com unidades de forças especiais. Ambas possuem missões distintas.

Fatos históricos abaixo:


1- O SAS foi criado em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, para combater nos desertos da África do Norte, por um tenente escocês chamado David Stirling. Oficiais de guerra convencional tentaram sabotar a nova unidade criada pelo tenente que recrutou ex-comandos britânicos. As unidades de comandos utilizavam muitos homens e tinham muitas missões canceladas. David Stirling teve a revolucionaria idéia de usar unidades bem menores infiltradas nos campos inimigos. Os soldados do SAS tinham um perfil bem atípico dos militares convencionais. O Brasil pouco sabia de forças especiais nesta época.


2- Depois da II Guerra, o Reino Unido começou a combater comunistas nas selvas do Bornéu e Malásia. O SAS inclusive tem uma boa parte do treinamento inicial na selva e já faz parte do processo seletivo. Este treinamento depois se torna mais especializado. Ou seja, em 1950 soldados do SAS já estavam atuando em missões reais na selva. O nosso excelente CIGS foi formado tempos depois.



3- O SAS que iniciou o estudo em missões antiterroristas e resgate de reféns em ambientes confinados. Nem o Brasil e nem os americanos tinham preparo para este tipo de operação na época. O nome que os comandos brasileiros deram para a sua casa de treinamento (casa da morte) vem DIRETAMENTE do SAS que chama o seu lugar de treinamento de killing house (casa da morte em língua inglesa). O SAS participou de muitas missões de resgate de reféns com o maior índice de sucesso até hoje entre muitas unidades de forças especiais.


5- Suas missões incluem nem sempre o perfil do tradicional militar. Soldados do SAS podem se vestir como civis e odeiam coisas com marchar, faxina e demais atividades com perdas de tempo.







6- Unidades como o SAS neozelandês e australiano (fotos acima) foram diretamente copiadas do modelo britânico. Estas unidades tiveram grande sucesso durante a guerra do Vietnã para quem desconhece o envolvimento deles considerando que eram bem menores que unidades norte-americanas.



7- A famosa Delta Force norte-americana foi criada por um militar norte-americano que passou pelo curso do SAS durante um treinamento no Reino Unido e notou que os boinas verdes deixavam a desejar na época. Os Estados Unidos tinham os boinas verdes como modelo naquele tempo. O comandante norte-americano mostrou humildade, aprendeu que o SAS tinha mais a ensinar e copiou o modelo britânico ao criar a Delta Force. Ele também sofreu represálias de militares que desconheciam a guerra convencional assim como de muitos boinas verdes que sabiam tudo na teoria mas nada na vida real e tinha uma certa rivalidade com a mentalidade nada convencional do SAS. Escreverei um texto sobre este tema.



8- O SAS anda operando em missões reais desde a II guerra por todo o planeta desde o seu nascimento em 1941 até hoje. Alguns dos lugares e missões divulgadas podem ser vistas abaixo (em língua inglesa):
Jebel Akhdar War
Indonesian Confrontation
Aden Emergency
  • "Keeni-Meeni Operations", 10 December 1963 – 1967, the search for Yemeni-trained assassins.[7]
Dhofar Rebellion
  • Operation Storm, 1970–1977, deployment of the SAS to support the Sultanate of Oman; operating under the auspices of a British Army Training Team (BATT). Included the well documented attack on the SAS outpost at Mirbat.[8]
Lufthansa Flight 181 
Iranian Embassy Siege
Falklands War
The Troubles
Persian Gulf War
Japanese embassy hostage crisis
Bosnian War
War in Afghanistan
Iraq War
Operation Enduring Freedom – Horn of Africa
Military intervention against the Islamic State of Iraq and the Levant
Libyan Civil War     

Ou seja: confiança é uma coisa mas sem soberba e arrogância. As forças especiais do Brasil ainda tem um longo caminho pela frente em certos aspectos. Muitas unidades hoje treinam juntas mas a base e o reconhecimento de uma raiz nascem com estudo. E muita vezes isso gera um enorme aprendizado. Se você nunca ouvir falar do SAS (Serviço Aéreo Especial) a base das nossas forças especiais e forças especiais modernas, informe-se pois eles operam em ambientes hostis desde a II guerra e tem muito a ensinar.


quinta-feira, 23 de março de 2017

O ataque terrorista em Londres: uma aula de como Israel e o Reino Unido lidam com o terrorismo



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No dia de ontem infelizmente Londres foi alvo de mais um terrorista muçulmano querendo causar pânico. O ISIS assumiu o atentado e Londres, uma das megalópoles do planeta que ainda estava imune aos ataques desta magnitude, passou agora a fazer parte das estatísticas. Vitimas de diversas partes do mundo infelizmente faleceram dentre as quais um bravo policial britânico.

O atentado somente não foi maior porque felizmente um policial armado e treinado eliminou o terrorista. Sim, pelo menos uma parte da policia britânica anda armada e desmente a lenda promovida pelos defensores do desarmamento. Se o policial estivesse desarmado o cenário provavelmente seria pior e os defensores da paz que se abraçam, trocam fotos, choram e fazem caricias de nada serviriam para salvar a vida de pessoas inocentes.

Presume-se que o governo britânico aumente a quantidade de policias armados. Isso em 2017 e com a ameaças de terroristas é mais que uma necessidade. Policiais treinados, um bom trabalho de serviços de inteligência e controle de fronteiras é uma boa combinação para combater o terrorismo.

O ultimo ataque terrorista em Londres aconteceu em 2013 aonde o soldado Lee Rigby teve a cabeça decepada por terroristas muçulmanos. O ataque porém foi de menor magnitude perante a mídia por ter sido direcionado somente a uma pessoa embora tenha sido chocante.

Os britânicos junto com os israelenses possuem uma forte tradição em combater o terrorismo. As excelentes forças especiais do Reino Unido das quais destaca-se a SAS (Serviço Aéreo Especial) possuem um amplo domínio no assunto. Soldados do SAS entre outras unidades como o SBS e a Unidade especial de Reconhecimento (Special Reconnaissance Unit ou14 Field Security and Intelligence Company) combatem o terrorismo faz muitos anos e fazem o serviços de inteligência, contra-inteligência, combate anti- terrorismo além de outras atividades de guerra irregular e alguns casos de guerra convencional. Da Irlanda do Norte até o Oriente Médio, as unidades especiais britânicas sempre foram modelo mundial embora o Reino Unido seja uma nação pequena geograficamente.




 
Nos tempos de Margaret Hilda Thatcher o SAS deu uma aula ao mundo sobre como fazer um resgate de reféns no caso da embaixada do Irã.



Previamente o SAS havia atuado no caso do Lufthansa Flight 181 aonde o SAS junto com a unidade anti-terrorista do GSG 9 da Alemanha eliminou terroristas muçulmanos que sequestraram um avião com reféns.



Estas foram as atividades do SAS publicadas pela imprensa. Muitas outras existem em segredo.

Infelizmente, a praticidade muitas vezes se rende ao politicamente correto do mundo atual. O SAS britânico hoje age nas sombras como sempre fez mas é também afetado por fatores sociais: o alto numero de muçulmanos que vivem no Reino Unido fruto de uma perda do controle da imigração e que faz com que o trabalho do SAS e unidades similares seja talvez necessário mais do que antigamente quando o SAS foi criado e forjado na II guerra mundial. Mas este trabalho é prejudicado por uma geração sem praticidade, politicamente correta e covarde que esqueceu que agir com atitude e de modo energético muitas vezes é o único caminho para derrotar um terrível inimigo que se esconde entre a população como é o caso dos terroristas. Os netos e bisnetos de hoje esqueceram o trabalho dos antepassados que lutaram bravamente a II guerra mundial contra os nacionais socialistas (nazistas).

E o que falar sobre Israel?
Israel talvez seja o maior exemplo de sucesso contra o terrorismo.

Uma nação igualmente pequena geograficamente e que poucos recursos teve inicialmente sempre teve como vizinhos países que queriam o seu fim. Israel foi atacada em inúmeras guerras mas sempre saiu vitoriosa. E aqui falamos de guerra convencional.

Sem surpresas, Israel também foi alvo de terroristas selvagens e perdeu atletas durante os jogos olímpicos de Monique. Mas como sempre fez, Israel nunca se rendeu ao politicamente correto e agiu.

Usando de um excelente serviços de inteligência (algo em comum com os britânicos) Israel caçou os terroristas responsáveis pelo mundo usando de muitas táticas e estratégias para eliminar os terroristas.
E embora uma imprensa simpatizante de terroristas tente ataca-la, Israel reage sem medo do politicamente correto mostrando o que deve acontecer com terroristas.



Israel tem a vantagem de ser fiel a regras de segurança: recebe imigrantes mas controla as suas fronteiras sem ficar com medo da mídia como faz o Reino Unido. Por ter nascido no fogo e com vizinhos inimigos, Israel teve que aprender que eficácia supera o politicamente correto.

Que esta aula sirva para o mundo.

Que todas vitimas do terrorismo, um problema internacional, repousem em paz e nossos sentimentos aos familiares. Que os governos aprendam: quem poupa o lobo, sacrifica as ovelhas.